PSDB oficializa apoio a Tarcísio e desiste de disputar governo de SP pela 1ª vez

A federação PSDB-Cidadania oficializou, na noite desta terça-feira, o apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, em convenção estadual realizada de forma virtual.
Além de homologar o apoio ao governador, a federação confirmou a pré-candidatura da jornalista e ex-vereadora Soninha Francine, do Cidadania, ao Senado.
Ainda há espaço para indicação de um segundo nome na chapa, que está sendo estudado e será divulgado até 5 de agosto, o prazo limite estabelecido pela Justiça Eleitoral.
Outros 166 nomes de candidatos foram aprovados, sendo 95 para deputado estadual e 71 para deputado federal.
Essa é a primeira vez em que o PSDB abre mão de lançar um candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes em São Paulo. A decisão amplia a frente de partidos que sustenta a candidatura do atual governador.
Com a entrada da federação, Tarcísio passa a reunir o apoio do PL, PSD, MDB, Podemos e da federação União Progressista, o que elevará significativamente o tempo de televisão do governador na propaganda eleitoral.
Como a CBN noticiou, o acordo encerra uma negociação que se arrastava desde março. Tarcísio chegou a se reunir com o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, e com o vice-presidente nacional da sigla, Paulo Serra.
As conversas, porém, perderam força quando o ex-prefeito de Santo André lançou a própria pré-candidatura ao governo paulista, alcançando 5% das intenções de voto nas pesquisas da época. Em junho, Serra desistiu da disputa para concorrer à Câmara dos Deputados, destravando as negociações.
Nos bastidores, a estratégia da campanha de Tarcísio sempre foi reduzir o número de candidaturas competitivas ao Palácio dos Bandeirantes para ampliar as chances de vitória ainda no primeiro turno.
Para o PSDB, por outro lado, a aliança é vista como uma oportunidade de reorganizar o partido, que enfrenta um momento delicado no estado onde construiu sua maior força política.
Após governar São Paulo por 28 anos consecutivos, entre 1995 e 2022, o partido perdeu o Palácio dos Bandeirantes justamente para Tarcísio de Freitas e, desde então, sofreu uma forte debandada de prefeitos, deputados e lideranças para outras siglas, principalmente o PSD de Gilberto Kassab.
Na Assembleia Legislativa, onde já chegou a ocupar 22 cadeiras, a bancada tucana foi reduzida a apenas três deputados estaduais.
Nas eleições municipais de 2024, pela primeira vez desde a fundação do partido, o PSDB não elegeu nenhum prefeito nas capitais e ficou fora de todos os segundos turnos.
Em fala na convenção, o presidente estadual do PSDB em São Paulo e vice-presidente nacional da legenda, Paulo Serra, afirmou que a Federação saiu fortalecida após a janela partidária e disse acreditar na retomada do protagonismo tucano no estado.
“Muitos diziam, Alex, que a nossa Federação e os partidos, individualmente, não teriam mais sobrevivência após a janela eleitoral. E a gente saiu maior do que entrou nessa janela. Então, isso mostra não só que há um espaço para a gente crescer, como que a gente está no caminho certo, justamente com essa reestruturação partidária, de candidaturas que representam o bom senso, de candidaturas que representam enfrentar os problemas reais das pessoas na política. E é isso que a gente defende, em linhas gerais. Então, eu não tenho dúvida de que a nossa chapa, tanto de deputados e deputadas federais como de deputados e deputadas estaduais, vai fazer um papel relevante aqui no Estado de São Paulo e que nós vamos ter um resultado muito especial para a Federação PSDB-Cidadania, para a gente recuperar esse protagonismo aqui e voltar a desempenhar um papel também na reconstrução do país.”
Já no plano nacional, a legenda deixou de protagonizar a polarização com o PT com o avanço do bolsonarismo. Em 2018, Geraldo Alckmin terminou a disputa presidencial em quarto lugar e, em 2022, o partido sequer lançou candidato próprio ao Planalto.
A perda de protagonismo também atingiu o Congresso Nacional. Depois de eleger a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 99 parlamentares em 1998, o PSDB passou a contar com apenas 13 deputados federais eleitos em 2022 — 18 quando somadas as cadeiras da Federação PSDB-Cidadania.



