Quase metade dos alunos de 15 anos no Brasil usa IA para aprender; índice supera média de países da OCDE

Quase metade dos estudantes brasileiros de 15 anos usa a Inteligência Artificial para aprender. É o que aponta o Programa Internacional de Avaliação de Alunos divulgado nesta madrugada. Foi a primeira vez que o uso de IA generativa na rotina escolar foi avaliado no Pisa.
A pesquisa revelou que 48% dos estudantes brasileiros recorrem a ferramentas como o ChatGPT ao menos uma vez por semana. O índice supera ligeiramente a média de 46% registrada entre os países membros da OCDE. Apenas 11% dos estudantes no Brasil declararam nunca utilizar a tecnologia para atividades acadêmicas. O hábito de pedir resumos de leituras escolares atinge 31% dos alunos no Brasil, praticamente empatado com o exterior.
Por outro lado, para redigir redações inteiras do início ao fim, o índice nacional fica em 27%, abaixo dos 29% observados nos países desenvolvidos. O relatório revelou que 81% dos alunos brasileiros frequentam escolas com algum tipo de veto ao uso de celulares, contra 37% registrados em 2022.
A taxa é bem superior à média da OCDE, que é de 49%. O ranking do Pisa também mostra que o Brasil avançou nos últimos 20 anos em leitura, matemática e ciências, mas continua distante da média dos países desenvolvidos.
No exame de 2025, os estudantes brasileiros de 15 anos alcançaram 408 pontos em Leitura, 377 em Matemática e 409 em Ciências. Em relação à média da OCDE, a desvantagem nacional é expressiva: são 92 pontos a menos em Matemática, 77 em Ciências e 58 de defasagem em Leitura. Na comparação com a edição de 20 anos atrás, as pontuações brasileiras apresentaram trajetórias positivas em todas as áreas avaliadas.
O ritmo de crescimento colocou o Brasil na sétima colocação mundial entre os sistemas de ensino que mais evoluíram em Leitura e em Matemática, além de alcançar a oitava melhor evolução global na área de Ciências.
A edição reuniu uma amostragem com mais de 30 mil jovens brasileiros matriculados entre o fim do ensino fundamental e o início do ensino médio, dos quais mais de 70% frequentam escolas estaduais públicas.
Para a gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, Sônia Dias, o Brasil precisa intensificar de forma urgente as políticas de recomposição e nivelamento pedagógico para diminuir o fosso de aprendizado em relação às nações desenvolvidas.



