Quem são os candidatos a vice nas chapas ao governo do Rio

As chapas que vão disputar o Palácio Guanabara começam a ser desenhadas, e os candidatos a vice-governador ajudam a revelar a estratégia de cada campanha: há quem aposte na articulação política, quem priorize a segurança pública e quem busque ampliar o alcance eleitoral das chapas. Confira os nomes já anunciados.
Eduardo Paes e Jane Reis — Foto: Divulgação
O ex-prefeito do Rio e candidato pelo PSD, Eduardo Paes, escolheu como vice a advogada e professora Jane Reis, do MDB. Ela é considerada uma das principais articuladoras políticas da família Reis, em Duque de Caxias, município que concentra o segundo maior eleitorado do estado.
Irmã do ex-prefeito de Caxias e presidente estadual do MDB, Washington Reis, Jane atua há mais de trinta anos nos bastidores da política, organizando alianças e fortalecendo a estrutura partidária na Baixada Fluminense. Presidente do MDB Mulher no município, ela agrega à chapa de Paes ao atrair o segmento evangélico, já que é casada com o pastor Rafael Corato, da Assembleia de Deus de Caxias.
A escolha, no entanto, ocorre em meio a um episódio delicado. Jane é investigada pela Polícia Federal na segunda fase da Operação Anáfora, que aconteceu em junho e apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo recursos públicos desviados da saúde. Embora não tenha sido alvo de busca e apreensão, Jane é suspeita de atuar como laranja no esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de Washington Reis. Na época, ela negou qualquer participação em irregularidades, disse nunca ter sido chamada para prestar depoimento e que tomou conhecimento da investigação pela imprensa.
Anthony Garotinho e coronel Venâncio Moura
Anthony Garotinho e coronel Venâncio Moura — Foto: Reprodução
Já o ex-governador Anthony Garotinho, candidato pelo Republicanos, aposta em um nome da segurança pública. O vice será o coronel Venâncio Moura, do Democracia Cristã.
Moura comandou o BOPE durante a gestão de Garotinho no início dos anos 2000. Ele foi nomeado oito dias depois do sequestro do ônibus 174, no Jardim Botânico, que terminou com a refém Geisa Gonçalves e o sequestrador Sandro Barbosa do Nascimento mortos. No episódio, um policial do BOPE tentou atingir Sandro, mas errou e baleou a professora. O coronel ganhou notoriedade ao participar a reforma da sede do Batalhão de Operações Especiais.
A presença dele reforça o discurso da campanha voltado para segurança pública e combate ao crime. Durante a convenção do Republicanos que confirmou a candidatura de Garotinho, o ex-governador chegou a prometer fazer ocupações de favelas e disse que criará o “Bope 2.0”.
André Marinho e policial Erigreyce Monteiro
André Marinho e policial Erigreyce Monteiro — Foto: Reprodução / Redes sociais
A segurança também foi determinante na composição da chapa do Novo. O empresário André Marinho terá como vice a tenente-coronel da Polícia Militar Erigreyce Monteiro.
Com experiência em funções de comando da PM e passagem pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, Erigreyce atualmente integra o Conselho Permanente da Justiça Militar Estadual. Segundo o Novo, a escolha busca unir renovação política com conhecimento técnico na área considerada uma das principais preocupações do eleitor fluminense.
Coronel Busnello e bombeiro Rafael Luz
Coronel Busnello e bombeiro Rafael Luz — Foto: Reprodução / Redes sociais
Outra candidatura que aposta na pauta da segurança é a do deputado estadual Coronel Busnello, do partido Missão. O vice será o bombeiro militar e influenciador digital Rafael Luz.
Enfermeiro de formação e policial militar em São Paulo, Rafael ganhou projeção por desenvolver projetos educativos sobre primeiros socorros e prevenção de acidentes voltados ao público infantil. Ele também participou de programas de televisão e humor. Pelas redes sociais, a retórica da campanha tem a segurança pública no eixo central da disputa, defendendo o endurecimento no combate às facções criminosas e o fortalecimento das forças de segurança, com o mote “chapa bombeiro e caveira”.
William Siri e Juliana Carvalho
William Siri e Juliana Carvalho — Foto: Reprodução / Redes sociais
Juliana Carvalho é professora de História, militante do movimento negro e dirigente do PSOL. Nascida e criada em Volta Redonda, no Sul Fluminense, construiu a trajetória política a partir da atuação nos movimentos estudantil, sindical e de defesa dos direitos humanos.
Juliana tem como pautas principais a defesa da educação pública, do combate ao racismo, da igualdade de gênero, dos direitos da população LGBTQIA+ e do direito à cidade.
Enquanto algumas chapas já definiram os companheiros de disputa, outras ainda buscam um nome.
O caso mais urgente é do presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, do PL. O ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, desistiu de integrar a chapa cinco dias antes do lançamento da candidatura. Isso obrigou o partido a procurar outro nome em meio ao enfraquecimento da aliança com a federação União-Progressistas.
A movimentação amplia o isolamento político da candidatura de Douglas Ruas. Sem o apoio da federação, o PL perde a possibilidade de agregar um bloco que reúne um número expressivo de prefeitos no estado e dispõe de um dos maiores tempos de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Nas eleições municipais há dois anos, por exemplo, PP e União elegeram cerca de um terço dos prefeitos do estado, o que torna a federação cobiçada.
Sem a aliança, o PL de Ruas fica mais isolado no estado, enquanto Paes aglutinou MDB, PT, PDT, PSB, Solidariedade e outros partidos menores.
O cenário se agravou após uma série de reveses enfrentados pelo grupo político. O ex-governador Cláudio Castro, principal aliado de Douglas Ruas, desistiu da candidatura ao Senado depois de se tornar alvo de investigações da Polícia Federal e de ser declarado inelegível pela Justiça Eleitoral. Outro nome que integrava a articulação da direita fluminense, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, também na mira da PF, acabou preso em flagrante por estar com um fuzil de forma ilegal. Embora a saída dele da disputa não esteja oficializada, é difícil que continue candidato ao Senado.
Além disso, o PL não conseguiu concretizar a estratégia de colocar Douglas Ruas no comando do governo estadual antes das eleições. A expectativa era de que, como presidente da Alerj, Ruas assumisse interinamente o Palácio Guanabara e ganhasse visibilidade durante o período pré-eleitoral. No entanto, o Supremo Tribunal Federal manteve no cargo o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, por entender que ele era o primeiro na linha sucessória no momento da vacância do cargo.
Agora, além de buscar consolidar alianças políticas, o PL precisa encontrar um nome para ocupar a vice-governadoria, alguém que amplie a base eleitoral da chapa e ajude a reduzir o isolamento da candidatura na reta final de formação das alianças.
Também seguem sem vice definido a candidata Juliete Pantoja (Unidade Popular) e o ex-governador Wilson Witzel (Democracia Cristã).
O prazo para realização das convenções termina no dia 5 de agosto. Os partidos têm até o dia 15 do próximo mês para registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral.



