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'Saiu rindo e achando graça', diz segurança sobre colega que liderou espancamento de ciclista no Rio

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agosto 22, 2026
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'Saiu rindo e achando graça', diz segurança sobre colega que liderou espancamento de ciclista no Rio


O segurança Jorge Luiz Ricardo Dias disse à polícia que o colega apontado como líder do espancamento que matou Cláudio Rafael Landeiro, em Copacabana, deixou o local “rindo e achando graça”. Segundo Jorge, Davi Santos Machado comandou as agressões contra a vítima, mas só interrompeu o ataque depois de ser alertado sobre a possibilidade de uma viatura chegar ao local.

Em depoimento à delegacia de Copacabana, Jorge admitiu que presenciou as agressões, mas não chamou socorro. Ele contou que foi chamado por Davi à Rua Barata Ribeiro sob a alegação de que havia uma bicicleta roubada. Como Cláudio se recusou a entregar o veículo, Davi começou a agredi-lo com socos. Depois, entrou em um bar, pegou um cassetete e continuou a bater na vítima.

Jorge disse que, enquanto Cláudio tentava se defender, fugiu do local com a bicicleta. Ele foi até a Rua Duvivier, onde trabalhava, fotografou o veículo e enviou a imagem para um homem identificado como Aluísio, apontado como responsável pela contratação dos seguranças que atuavam na região.

O segurança afirmou que voltou à cena do crime e encontrou Davi e outros dois homens, vestidos como entregadores de aplicativo, espancando Cláudio, que já estava caído e sem reação na calçada da Rua Felipe de Oliveira.

Segundo Jorge, ele pediu que Davi parasse, mas por medo de ser preso. O segurança afirmou ter dito: “Davi, sai daí! Vai ficar batendo no rapaz aí? Se aparecer uma viatura, você vai rodar no flagrante!”. Depois do alerta, Davi teria deixado o local “rindo e achando graça”.

Mesmo vendo Cláudio ferido, Jorge admitiu que foi para casa sem chamar a Polícia Militar ou o Samu. Ele revelou ainda que Davi filmou o espancamento com o próprio celular e teria chamado os dois homens vestidos de entregadores para participar das agressões. As imagens feitas pelos próprios envolvidos foram compartilhadas em grupos de WhatsApp de entregadores.

Cláudio Rafael Landeiro tinha 37 anos e morreu na madrugada do dia 12 de agosto. Ele era neurodivergente e tinha limitações de fala desde uma queda sofrida na adolescência. A acusação de que ele teria roubado a bicicleta foi desmentida por câmeras do prédio onde morava. As imagens mostram Cláudio saindo de casa já com a bicicleta, que pertencia à irmã.

Quatro homens apontados pela Polícia Civil como envolvidos no crime estão presos. Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, que trabalhavam como seguranças clandestinos na região, foram detidos na quinta-feira. Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva, que aparecem nas imagens usando roupas de entregadores de aplicativo, também se entregaram à polícia.

Jorge passa por audiência de custódia neste sábado (22), assim como Davi Santos Machado.

A investigação ainda tenta identificar um quinto suspeito, que aparece nas imagens dando um chute em Cláudio. A polícia também apura a responsabilidade de quem contratava os seguranças e de pessoas que passaram pelo local durante as agressões e não prestaram socorro.



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