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Sucesso de crítica, 'O Convite' inaugura nova fase da comédia no cinema

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julho 16, 2026
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Sucesso de crítica, 'O Convite' inaugura nova fase da comédia no cinema


Com ritmo acelerado, interações caóticas e uma crítica à sociedade contemporânea, ‘O Convite’, novo filme da A24, se destaca por renovar a comédia com um olhar e roteiro afiado sobre as relações humanas. Dirigido e estrelado por Olivia Wilde, o longa já é sucesso da crítica.

A trama acompanha Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), um casal que vive há anos em uma relação marcada pela rotina e pelo desgaste. Em busca de novas conexões, Angela decide convidar os vizinhos do apartamento de cima, Pina (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton), para um jantar. Enquanto ela enxerga a ocasião como uma oportunidade de criar novas amizades, Joe tem uma motivação menos amigável, reclamar do barulho dos vizinhos durante as relações sexuais.

Cena de ‘O Convite’ — Foto: Reprodução

O Convite propõe uma ‘comédia do absurdo’ que vai além do humor. O filme explora as complexidades dos relacionamentos na era contemporânea, incluindo a não monogamia, e reflete sobre julgamentos, culpa e as pressões sociais que moldam o comportamento de seus personagens.

Um dos principais méritos do longa é resgatar para o cinema o ritmo acelerado e a dinâmica das comédias contemporâneas. Com diálogos rápidos e situações que se sucedem em alta velocidade, o filme se aproxima de séries como Hacks e The Studio, de Seth Rogen, que integra o elenco.

Vale destacar que Olivia Wilde idealizou O Convite para ser uma experiência cinematográfica. A diretora defendeu o lançamento do filme primeiro nos cinemas, e não nos streamings, para preservar a reação coletiva do público.

Em uma trama marcada por interações intensas e situações desconfortáveis, o encontro entre os espectadores potencializa o humor, a tensão e o impacto de cada cena.

‘O riso remove a vergonha, principalmente quando é uma catarse coletiva em um cinema’, disse a diretora em coletiva de imprensa.

A narrativa praticamente não dá ao espectador tempo para racionalizar cada acontecimento. Em vez disso, convida o público a acompanhar a história pelas emoções, vivenciando em tempo real os sentimentos dos personagens. A sucessão de situações constrangedoras, tensas e marcadas pela vergonha alheia faz com que o espectador se sinta parte do caos, compartilhando o desconforto e a ansiedade que tomam conta da trama.

Além disso, O Convite aproxima o espectador da trama ao concentrar toda a narrativa em um único cenário: o apartamento do casal. A escolha, embora não seja inédita no cinema, intensifica a sensação de intimidade e faz com que o público conheça cada ambiente da casa junto aos personagens, compreendendo como cada espaço reflete as tensões e os conflitos da história.

Ao transformar o apartamento em um personagem da narrativa, o filme reforça a sensação de confinamento e faz com que o espectador se sinta parte do encontro, compartilhando a tensão e a crescente ansiedade provocados pelas situações que se desenrolam.

A comentarista da CBN, Paula Jacob, crítica, pesquisadora e professora de cinema, com especialização em Semiótica Psicanalítica e mestranda em Comunicação e Semiótica, ambos pela PUC-SP, destacou que Olivia Wilde usa direção de arte, fotografia, figurino, cenografia e iluminação a favor da história, provando que a comédia também pode se destacar pelo apuro visual.

‘Gravado em 35mm, com um apartamento construído em estúdio para ser aproveitado na sua máxima extensão, de acordo com a dinâmica das atuações, o filme é impecável esteticamente por justamente usar elementos da direção de arte, fotografia, figurino, cenografia, iluminação a favor da história, não só como “decoração” visual. Isso não é normalmente associado aos filmes de comédia, porque tradicionalmente o gênero é visto como um de roteiro e direção de atores. E, aqui, Olivia Wilde nos prova o contrário.

A utilização de um único cenário já foi explorada por outros filmes de sucesso, como Cães de Aluguel (1992), de Quentin Tarantino, Janela Indiscreta (1954), de Alfred Hitchcock, Clube dos Cinco (1985), de John Hughes, e A Baleia (2022), de Darren Aronofsky.



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