março 13, 2026

Times Square paulistana: comissão que regula Lei Cidade Limpa aprova iniciativa


O projeto que prevê a instalação de telões luminosos nas ruas do Centro da capital paulista ganhou sinal verde do órgão que fiscaliza a Lei Cidade Limpa.

A proposta Boulevard São João, apelidada de “Times Square Paulistana”, foi aprovada pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana. O plano concentra quatro grandes painéis de LED e uma projeção na lateral de um edifício no cruzamento entre as avenidas São João e Ipiranga, na República.

A aprovação ocorreu após uma reunião de mais de quatro horas e foi definida por oito votos favoráveis e seis contrários. A comissão estabeleceu restrições ao funcionamento e ao conteúdo exibido. Os painéis poderão operar apenas entre cinco da manhã e onze da noite.

Também ficam proibidos vídeos, animações, flashes, alternância rápida de cores ou estímulos visuais bruscos, para reduzir riscos ao trânsito e à poluição visual. Cada imagem deverá permanecer no mínimo dez segundos na tela.

A comissão determinou limite de até dez marcas patrocinadoras e estabeleceu que apenas trinta por cento do conteúdo exibido poderá ser institucional ou publicitário, com prioridade para mensagens culturais, educativas ou de interesse público.

O projeto foi idealizado pela Fábrica de Bares, dona de ambientes famosos da região central, como o Bar Brahma e o Orfeu. O objetivo é gerar aumento do fluxo de pessoas à noite na área e atrair turistas com anúncios e luzes como nos moldes do famoso cruzamento de Nova York.

A restauração do patrimônio histórico da região é uma das intervenções previstas. Um dos monumentos que devem ser reabilitados é a estátua da Mãe Preta, que fica em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandú. Outras obras incluem a reforma da fachada da igreja, a instalação de mobiliário urbano e a requalificação de calçadas.

Urbanistas e historiadores afirmam que permitir telões gigantes na República significa flexibilizar a Lei Cidade Limpa. A norma combate a poluição visual há quase vinte anos. Membro da comissão, Mauro Calliari é crítico ao projeto.

“Na minha percepção, pode ser uma brecha muito perigosa. A lei Cidade Limpa é um marco civilizatório que foi uma conquista não só da da gestão na época, mas de São Paulo. A gente viu uma cidade que se limpou de propaganda, de excesso visual e que hoje está se preparando e se mostrando como ela é, com arquitetura, com arte”, afirmou.

A presidente da comissão, Regina Monteiro, é defensora do projeto. Ela disse que há 20 anos a prefeitura pretende criar acordos desse tipo. Ela é uma das responsáveis pela criação da Lei Cidade Limpa.

“Cada um quer a sua Times Square. É isso que a gente quer? Claro que não. Queremos regiões bem setorizadas, com projetos bem definidos e estruturados para que possamos mudar a cidade”, disse durante a reunião.

A prefeitura abriu consulta pública on-line sobre a iniciativa até 24 de março. O termo de cooperação tem prazo de três anos e prevê investimento anual de dois milhões de reais nas melhorias urbanas. O custo para a implantação dos telões é estimado em aproximadamente 42 milhões de reais.

A comissão ainda deve realizar vistoria no local e discutir novas condicionantes em uma reunião futura.



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