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Trajetória do Einstein no SUS ajuda na transformação da saúde

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julho 14, 2026
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Trajetória do Einstein no SUS ajuda na transformação da saúde


Transformar a saúde, fazendo com que os avanços da medicina cheguem a um número cada vez maior de pessoas. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) garante o acesso universal, mas a complexidade de um país de dimensões continentais impõe desafios que pedem soluções conjuntas para uma maior equidade.

Foi com esse olhar que, há 25 anos, o Einstein Hospital Israelita, uma organização filantrópica, começou sua aliança com o sistema público. Hoje, o Einstein administra uma estrutura maior na saúde pública do que na suplementar, levando protocolos assistenciais e modelos de gestão e inovação para milhões de brasileiros. São 34 unidades de saúde sob sua gestão, sendo nove hospitais (em São Paulo, Goiás, Bahia e Mato Grosso), mais de dois mil leitos e cerca de 14 milhões de atendimentos por ano.

— Nossa presença no SUS está ligada à melhor forma de escalarmos a capacitação acumulada, deixando-a disponível para um número cada vez maior de pessoas — afirma o presidente do Einstein, Sidney Klajner. E isso inclui o avanço do Einstein não só em assistência, mas também em ensino, pesquisa e inovação.

— Não faria sentido evoluir em todas essas áreas sem levar esse avanço para o sistema público — completa Klajner.

Ao longo dessa trajetória, práticas adotadas na operação privada do Einstein — como indicadores assistenciais, processos de segurança do paciente e modelos de melhoria contínua — passaram a ser incorporadas também às unidades públicas sob sua gestão.

A presença do Einstein no SUS se dá ainda por projetos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADISUS), do Ministério da Saúde. No atual triênio, de 2024 a 2026, o Einstein conduz 45 projetos voltados para as áreas de pesquisa, capacitação, gestão, assistência de alta complexidade e avaliação e incorporação de tecnologias. Foram investidos R$ 491,5 milhões no programa só em 2025, e estima-se que o valor atinja R$ 1,4 bilhão no triênio 2024-2026.

O presidente do Conselho Deliberativo do Einstein, Claudio Lottenberg, destaca que a iniciativa da organização ajudou a romper paradigmas na gestão da saúde.

— Foi muito importante ter tido a coragem, tanto nossa, quanto do poder público, de buscar uma forma diferenciada e mais ágil para atender os desafios de saúde da população — lembra.

— Tínhamos o entendimento de que podíamos fazer muita coisa pelo SUS, mas o Einstein virou o que ele é hoje também pela experiência na saúde pública.

A visão macroestrutural dessa aliança foi debatida no evento Transformação da saúde: a força da colaboração entre público e privado para um futuro com equidade, realizado em São Paulo, na última semana.

— Quando os setores caminham juntos, quando há troca de conhecimento e compromisso com resultados, todo o sistema se fortalece. E quem ganha é a sociedade — defendeu Henrique Neves, diretor geral do Einstein, na abertura.

Durante o encontro, os especialistas reforçaram o papel central da atenção primária para tornar o sistema mais equitativo, eficiente e sustentável. O secretário municipal da Saúde de São Paulo, Luiz Carlos Zamarco, ressaltou que a cidade é extremamente heterogênea e possui territórios com realidades muito diferentes.

— A atenção primária é a porta de entrada do serviço de saúde, e temos trabalhado estruturando o serviço de acordo com as necessidades da população em cada território — explicou.

Rafael Ornelas, diretor de Atenção Primária e Rede Assistencial no Einstein, enfatizou a importância de conhecer os territórios e suas demandas para coordenar o cuidado de forma longitudinal.

Rafael Ornelas, do Einstein; Patrick Almeida, da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba e representante do CONASS; Luiz Carlos Zamarco, secretário municipal da Saúde de São Paulo, e Marcio Paresque, do Einstein — Foto: Divulgação

— É necessário conectar a gestão com o profissional de saúde na ponta, porque ele é quem conhece as pessoas — disse. Só em 2025, foram realizadas 868,7 mil consultas médicas nas 24 unidades de atenção primária à saúde (APS) geridas pelo Einstein em São Paulo.

O secretário executivo da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba e representante do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Patrick Almeida, destacou a atenção primária como ferra menta importante para fortalecimento de todo o sistema.

— A APS forte depende de um Estado que entende a lógica da rede e que a sustenta e apoia de forma contínua e permanente — declarou.

Para Marcela Pégolo da Silveira, coordenadora de Gestão de Contratos de Serviços de Saúde do Estado de São Paulo, a troca de conhecimento entre as áreas privada e pública cresceu de forma positiva nos últimos anos.

— Em 1998, eram apenas cinco hospitais gerenciados por organizações sociais de saúde. Hoje, temos 142 unidades gerenciadas por entidades privadas sem fins lucrativos, que são as Organizações Sociais de Saúde (OSS). Isso já mostra a força desse modelo de gestão e parceria — afirmou Luciana Borges, diretora de Cuidado Público no Einstein, por sua vez, destacou que a atuação do Einstein na gestão de unidades públicas se ampliou justamente porque a organização tem como objetivo promover saúde para um número cada vez maior de pessoas.

— Isso tem uma conexão profunda com o que fazemos no SUS, com o propósito de oferecer acesso oportuno, com qualidade e segurança, e levando a melhor experiência possível ao paciente.

Como exemplo dessas melhorias, Oberdan Lira, secretário-adjunto executivo de Saúde do Mato Grosso, citou o trabalho do Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso, que tem gestão do Einstein e conta com um sistema robótico para cirurgias minimamente invasivas.

— As pessoas não acreditam que é tudo de graça quando entram no hospital. Mas isso é SUS.

Luciana Borges (à esq.) e Fabiana Rolla (à dir.), do Einstein; ao centro, Marcela Pégolo da Silveira, da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, e Oberdan Lira, da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso — Foto: Divulgação

Para a secretária da Saúde do Estado da Bahia, Roberta Santana, os resultados obtidos em dois anos e meio no Hospital Ortopédico do Estado da Bahia, gerido pelo Einstein, mostram “a dimensão e a importância” da aliança da organização com o SUS. “Já são 25 mil cirurgias realizadas, mais de 282 mil atendimentos ambulatoriais e mais de 124 mil atendimentos em reabilitação física e recuperação funcional”, disse. “É a demonstração de que, com planejamento, investimento e boa gestão, é possível ofertar à população uma saúde pública de alta complexidade, inovadora e acessível.”

Alessandro Magalhães, secretário municipal de saúde de Aparecida de Goiânia, afirma que a colaboração entre instituições de excelência e o sistema público leva mais qualidade, segurança e inovação para as pessoas atendidas. “No HMAP, a parceria com o Einstein fortaleceu protocolos assistenciais, a qualificação das equipes e a cultura de segurança do paciente. Um exemplo é a estruturação da hemodinâmica, ampliando a capacidade de resposta a casos cardiovasculares de alta complexidade e reduzindo o tempo para intervenções decisivas”, explica.

Olhar para as demandas em saúde de diferentes regiões e populações dentro do país e trazer soluções por meio de projetos também está no centro do trabalho que o Einstein desenvolve com o sistema público.

— A nossa atuação só vale a pena se for para transformar, e ela só vai transformar se impactar quem está na ponta. E, para isso, precisamos ouvir as demandas dessas pessoas — disse Felipe Piza, diretor de Responsabilidade Social e Filantropia no Einstein.

Ele citou como exemplo o projeto TeleAMEs, que oferece teleinterconsultas em 12 especialidades nas regiões Norte e Centro Oeste, por meio do PROADISUS. Desde sua criação, a iniciativa já realizou mais de 550 mil atendimentos, com resolutividade de 95% dos casos sem necessidade de encaminhamento a outro serviço, reduzindo filas, custos e deslocamentos.

Durante o debate, Aline de Oliveira Costa, diretora do Departamento de Cooperação Técnica, Inovação e Desenvolvimento em Saúde (DECOOP), do Ministério da Saúde, destacou a importância do PROADI-SUS, que usa “tecnologias e o fortalecimento da parceria público-privada em prol da qualificação da atenção à saúde”.

— O PROADI-SUS tem nos trazido importantes ferramentas para qualificar o SUS, pela ida aos territórios e por chegar de fato (a quem precisa) — afirmou.

Um dos exemplos é o projeto Vigilância Ambiental em Saúde Indígena (Vigiambsi), desenvolvido com o Einstein, que realiza estudos ambientais com análises de solo e água em territórios indígenas para auxiliar no planejamento de ações de saúde e vigilância ambiental.

— Não pode faltar essa construção com respeito mútuo, aliando o conhecimento do Einstein e os conhecimentos ancestrais nos territórios — afirmou a secretária de Saúde Indígena, do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé.

Ao encerrar o evento, Eliézer Silva, diretor de Sistemas de Saúde no Einstein, reforçou o poder da colaboração.

— O futuro da saúde será construído por meio de alianças cada vez mais amplas, da integração entre diferentes competências e da capacidade de cocriar soluções que façam sentido para cada território.

25 ANOS EM ALIANÇA COM O SUS

Guiado pelo propósito de reduzir desigualdades e ampliar o acesso a uma assistência de qualidade, o Einstein expande sua atuação no sistema público de saúde.

  • 2001 – ENTRADA NO SUS PELA ATENÇÃO PRIMÁRIA
    O Einstein inicia sua trajetória com a gestão de 8 Unidades Básicas de Saúde (UBS) na zona sul de São Paulo.
  • 2002 – TRANSPLANTES EM PACIENTES DO SUS
    O Einstein passa a realizar transplantes em pacientes do SUS. Desde então, já foram mais de 5 mil. Em 2021, fez o primeiro transplante de pulmão pós-covid da rede pública.
  • 2008 – O PRIMEIRO HOSPITAL PÚBLICO
    O Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch – M’Boi Mirim foi a primeira unidade pública hospitalar sob gestão do Einstein, junto com o Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim. Em 2014, tornou-se o primeiro hospital municipal a alcançar o nível máximo de reconhecimento da Organização Nacional de Acreditação.
  • 2009 – NASCE O PROADI-SUS
    O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde surge como uma estratégia para fortalecer o sistema público a partir da colaboração entre o Ministério da Saúde e hospitais filantrópicos de excelência. O Einstein está presente desde o início.
  • 2015 – UM HOSPITAL COM TECNOLOGIA DE PONTA
    O Hospital Municipal Dr. Gilson de Cássia Marques de Carvalho – Vila Santa Catarina foi o segundo a ser administrado pelo Einstein. Referência do município de São Paulo em Oncologia, é um dos primeiros públicos a oferecer cirurgia robótica com equipamento doado pelo Einstein. Já foram realizadas mais dede 600 cirurgias. Ele foi o primeiro hospital do SUS com certificação da American Society of Clinical Oncology (ASCO).
  • 2018 – PROADI-SUS – PLANIFICASUS: DISSEMINAÇÃO DE CONHECIMENTO E INTEGRAÇÃO
    A partir da experiência com a atenção primária na zona sul de São Paulo, o projeto estrutura o cuidado em rede em 19 estados, em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, gerando eficiência e qualidade. Já capacitou 80 mil profissionais, impactando mais de 20 milhões de brasileiros.
  • 2020 – RESPOSTA À PANDEMIA
    As unidades do Einstein se adaptaram rapidamente. O Hospital M’Boi Mirim saltou de 20 para 220 leitos de UTI em dois meses, dedicando-se à covid-19, com cerca de 6 mil internações. O Einstein também coordenou o hospital municipal de campanha no Estádio do Pacaembu. Em 2022, gerenciou um terço dos leitos públicos de covid-19 na cidade de São Paulo.
  • 2021 – PROADI-SUS – TECNOLOGIA COMO ALIADA DO ACESSO À SAÚDE
    A telemedicina do Einstein, pioneira no Brasil, ganha escala no SUS com o TeleAMEs, que conecta médicos de 12 especialidades a pacientes e profissionais do Norte e Centro-Oeste, onde há escassez de especialistas.
  • 2022 – GESTÃO AVANÇA PARA OUTROS ESTADOS
    O Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia – Iris Rezende Machado é o primeiro administrado pelo Einstein fora de São Paulo. Em um ano, a fila de cirurgias eletivas foi eliminada e, hoje, é um dos hospitais que mais realiza esse tipo de procedimento no país. O Hospital Ortopédico do Estado da Bahia, o Hospital de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz e o Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso são integrados em anos seguintes.
  • 2024 – PROADI-SUS – FOCO EM CLIMA, SAÚDE E POPULAÇÕES EM VULNERABILIDADE
    A emergência climática impacta o sistema de saúde de forma desigual. Para apoiar os gestores e proteger populações em vulnerabilidade, o Einstein criou iniciativas que monitoram indicadores ambientais e de saúde. Enquanto o projeto Vigiambsi desenvolve uma plataforma para os 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas do país, o Veracis se concentra na população negra e quilombola.
  • 2025 – PROADI-SUS – TERAPIAS QUE APONTAM NOVOS CAMINHOS
    Uma pesquisa clínica indicou que células CAR-T produzidas no Einstein apresentaram alta eficácia contra linfomas e leucemias. Essa e outras terapias de última geração desenvolvidas via Proadi-SUS, como contra a anemia falciforme, podem chegar ao sistema público, ampliando o acesso. Em 2025, o Einstein iniciou a gestão de três hospitais estaduais de São Paulo: Hospital Heliópolis, Hospital Ipiranga e Hospital Infantil Darcy Vargas.
  • 2026 – UNIÃO DE ESFORÇOS PELA EQUIDADE
    Com mais unidades públicas (34) do que privadas (33) e mais de 200 projetos realizados, o Einstein completa 25 anos no SUS com a convicção de que a colaboração é uma das ferramentas mais poderosas para ampliar o acesso à qualidade na saúde e promover a equidade.



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