Três vereadores de Sobral (CE) são presos em operação contra facção investigada por interferência eleitoral

Três vereadores de Sobral, na região norte do Ceará, foram presos preventivamente por suspeita de ligação com uma facção criminosa investigada por interferir nos processos eleitorais de 2024 e 2026. Os parlamentares integram tanto a base aliada quanto a oposição à Prefeitura na Câmara Municipal.
Os alvos da operação são Carlos do Calisto (PSB), vereador mais votado nas eleições municipais de 2024; Mario Vicktor (União Brasil); e Junim do Povo (Podemos).
Nas eleições de 2024, Carlos do Calisto foi eleito com mais de 4 mil votos e conquistou o quarto mandato consecutivo. Mario Vicktor recebeu pouco mais de 3 mil votos e está no segundo mandato. Já Junim do Povo foi eleito com 1.209 votos e exerce o primeiro mandato. Além das prisões, os três vereadores e outros dois agentes públicos foram afastados das funções por 180 dias.
As medidas foram cumpridas nesta terça-feira (11), durante a Operação Omertà, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO-CE), em conjunto com o Ministério Público Eleitoral e o Grupo de Apoio ao Processo Eleitoral (GAEL).
Facção cobrava até R$ 60 mil de candidatos para disputar eleições
Segundo o promotor de Justiça Igor Pinheiro, coordenador da GAEL no Ministério Público do Ceará, as investigações apontam que o grupo criminoso atuou para influenciar o processo eleitoral de 2024. Práticas de ameaça e intimidação também são apuradas em relação às eleições de 2026.
“A investigação aponta que, durante a eleição de 2024, a organização criminosa investigada cobrava um pedágio eleitoral de R$ 60 mil para aqueles que já detinham mandato parlamentar e de R$ 30 mil para quem não o tinha. E este comportamento de agressividade, de ameaça, inclusive, já se repetiu em 2026, quando houve o cancelamento de ato político-partidário, em julho de 2026, em que membros de facção mandaram mensagens para a dona de um bufê, ameaçando tacar fogo e assassinar funcionários, caso o evento ocorresse.”
Além dos vereadores, a Justiça determinou o afastamento de um assessor jurídico da Câmara Municipal de Sobral e de uma policial militar, apontada como esposa de um dos líderes da organização criminosa que atua na região.
Ao todo, a Operação Omertà cumpriu 14 mandados de prisão preventiva, entre eles os de três parlamentares, além de 25 mandados de busca e apreensão e cinco medidas cautelares de afastamento de cargos públicos.



