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Uma semana após morte, investigação ainda tenta esclarecer falha em salto de rope jump

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junho 20, 2026
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Uma semana após morte, investigação ainda tenta esclarecer falha em salto de rope jump


Uma semana depois da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, a investigação ainda tenta esclarecer como uma falha de segurança levou à queda de cerca de 40 metros na Ponte do Esqueleto, em Limeira.

O caso aconteceu durante um salto de rope jump na semana passada. A jovem foi lançada da plataforma sem a corda presa ao corpo.

Imagens que circularam nas redes sociais mostraram o momento em que ela foi levada até a estrutura e empurrada. Logo depois, pessoas que estavam no local perceberam o erro e gritaram ao notar que o equipamento não estava conectado.

Desde então, a Polícia Civil vem ouvindo testemunhas e participantes do evento. Pelo menos 12 pessoas já foram ouvidas, incluindo integrantes do grupo que organizava a atividade, chamado Entre Cordas, uma enfermeira que tentou prestar socorro, o policial que atendeu a ocorrência e pessoas que estavam na fila para os saltos.

Um dos principais depoimentos foi de um homem que viajou com Maria Eduarda e saltou antes dela. Ele disse que o grupo era desorganizado e ajudou a detalhar como funcionava a preparação dos participantes.

Outras testemunhas também relataram que houve falha na checagem dos equipamentos e disseram que integrantes do grupo tentaram deixar o local após o acidente.

Os três homens presos deram versões que não esclareceram o que aconteceu. Maicon Fernandes Cintra, em depoimento à polícia, não conseguiu dizer de quem seria a falha. Luis Felipe Feliciano Egoroff afirmou que não se recorda de quem era a obrigação de amarrar a corda. Já Vitor de Freitas Gonçalves disse que foi chamado apenas para ajudar a posicionar a jovem no momento do salto e que não participou da preparação.

Outro ponto importante da investigação segue sem resposta. A câmera que Maria Eduarda usava no salto ainda não foi localizada.

Segundo a polícia, o equipamento pertencia ao grupo organizador e era cobrado à parte. Há indícios de que alguém tenha retirado a câmera após a queda. A expectativa é de que as imagens ajudem a reconstituir a preparação do salto e a sequência do erro. Testemunhas disseram que viram um dos homens tirando o equipamento do corpo da jovem.

Os três investigados seguem presos por homicídio com dolo eventual, quando há entendimento de que houve risco assumido.

A Justiça negou na quinta-feira à noite o pedido de habeas corpus para dois deles, Maicon Fernandes Cintra e Luis Felipe Feliciano Egoroff. A decisão considerou que a soltura poderia atrapalhar a investigação e representar risco de novos crimes. A defesa avalia se vai recorrer.

O terceiro investigado, Vitor de Freitas Gonçalves, não entrou nesse pedido porque tem outro advogado, que ainda analisa o caso.

O prazo do inquérito já foi prorrogado por causa da complexidade. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais.

Além da investigação, o caso provocou uma série de mudanças no local do acidente. Após décadas de reclamações das prefeituras de Limeira e Cordeirópolis, a Secretaria do Patrimônio da União finalmente admitiu que é a responsável pela Ponte do Esqueleto, dizendo que a área foi incorporada ao patrimônio apenas neste ano. A ponte começou a ser construída em 1990 e finalizada dois anos depois. Pertencia à extinta Rede Ferroviária Federal, e ficou abandonada desde então. O nome Esqueleto tem a ver com o fato de nunca ter sido usada e nunca ter sido completada.

Nos últimos dias, foram instaladas placas, cercas, valas e barreiras de terra. Um projeto técnico do governo federal também está em andamento para criar um bloqueio permanente. A possibilidade de retirada da ponte segue em discussão.

O governo do estado também entrou no debate. Uma reunião reuniu representantes da segurança pública para discutir fiscalização em pontes usadas para esportes radicais. A proposta é criar uma força-tarefa para evitar novos casos.

Uma semana depois, a principal dúvida continua: como um salto foi realizado sem o equipamento básico. Não é nem questão de segurança, é o básico mesmo, o que dá nome ao salto.



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