Vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia reflete avanço da extrema-direita na América Latina, avalia especialista

Sobre o resultado das eleições presidenciais na Colômbia, no Jornal da CBN, Mílton Jung e Cássia Godoy entrevistaram David Morales, Coordenador do Curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC. Ele é colombiano naturalizado brasileiro.
Para o especialista, a vitória de Abelardo de la Espriella nas eleições presidenciais da Colômbia reflete uma tendência de fortalecimento de movimentos de extrema-direita na América Latina e evidencia a polarização política no país.
Segundo Morales, o resultado também está relacionado aos desdobramentos do Acordo de Paz firmado em 2016 entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
“Podemos entender esse resultado dentro de uma nova tendência da América Latina, com uma guinada para partidos mais à extrema-direita. No caso colombiano, há vários elementos importantes, principalmente os desdobramentos do Acordo de Paz de 2016”, afirmou.
A disputa foi marcada por forte polarização e terminou com uma diferença inferior a um ponto percentual entre os candidatos. De acordo com o especialista, o resultado ainda depende da revisão formal das atas eleitorais, prevista pela legislação colombiana, mas a tendência já indica a vitória de De la Espriella.
Polarização e mudanças políticas
Para Morales, o cenário colombiano acompanha um movimento observado em outros países da região, mas com características próprias. Ele destacou que, pela primeira vez na história do país, uma eleição presidencial colocou frente a frente um candidato de extrema-direita e um candidato de esquerda.
“Não estamos diante apenas de uma alternância tradicional entre direita e esquerda. Estamos vendo um movimento mais direcionado à extrema-direita”, avaliou.
O professor também observou que a Colômbia historicamente manteve forte alinhamento com os Estados Unidos, especialmente durante a Guerra Fria. Segundo ele, esse posicionamento foi parcialmente alterado nas últimas décadas em razão da chamada “onda rosa” de governos de esquerda que marcou a América Latina nos anos 2000 e 2010.
Questionado sobre os possíveis impactos do resultado colombiano para o Brasil, Morales defendeu cautela na análise do cenário regional.
“O Brasil deve agir com cautela e preservar o pragmatismo na política externa”, afirmou.
Segundo ele, o avanço de governos e movimentos mais à direita tem sido influenciado pelo apoio político do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas o cenário norte-americano ainda pode sofrer alterações nos próximos anos com as eleições legislativas.


