'Cumprimos as regras há mais de 40 anos', diz ABPA após decisão da UE sobre exportações de carne

Em entrevista ao Jornal da CBN, Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), afirmou que a decisão surpreendeu o setor e que o Brasil já cumpre as exigências europeias há décadas.
“Essa foi uma decisão do Comitê Permanente de Plantas e Animais da Europa, um comitê técnico, tomada inclusive muito próxima da entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, e que nos surpreende demais porque nós cumprimos as regras da União Europeia, inclusive, especialmente as de uso prudencial do antimicrobiano há mais de 40 anos.”
Segundo Santin, o impasse não está no descumprimento das regras ou na ausência de garantias por parte do Brasil, mas na forma como o país deve comprovar a fiscalização dessas exigências.
“O Brasil mandou há muito tempo uma proposta de análise do boletim sanitário, de análise dos dados brasileiros que refletem que o Brasil não usa essas moléculas de antimicrobianos proibidas na Europa, mas eles não aceitaram, disseram que querem mais. Mas, em vez de nos mandar uma carta, colocaram numa lista que nos tira, a partir de setembro, as exportações.”
Questionado sobre mudanças na fiscalização, o presidente da ABPA negou qualquer redução nas estruturas de controle no Brasil e afirmou que a exigência europeia aumentou. Ele destacou ainda o peso do Brasil no mercado global de proteína animal e afirmou que a UE teria usado o país como exemplo para demonstrar o endurecimento das regras.
“Veja a importância do Brasil, que é o maior exportador mundial e detém quase 40% do market share global de exportação de frango. Então, eles usaram o Brasil, digamos assim, como um exemplo para os seus consumidores, dizendo: ‘olha, nós estamos cuidando tanto que ameaçamos o Brasil de delistar e suspender a partir de setembro’.”
Sobre os próximos passos, Santin disse que o governo brasileiro já atua para tentar reverter a decisão.



