Coronel exonerado após morte em festa junina é nomeado subsecretário da PM no RJ

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, nomeou, nesta segunda-feira (8) o coronel Aristheu de Goes Lopes, ex-comandante do Bope, como subsecretário adjunto de Comando e Controle da Polícia Militar.
A nomeação ocorre exatamente um ano após a morte do office boy, Herus Guimarães Mendes, de 24 anos, durante uma operação policial no Morro de Santo Amaro, no Catete, Zona Sul do Rio. Após o episódio, o oficial foi exonerado do comando da tropa de elite.
Herus participava de uma tradicional festa junina na comunidade. Os dois policiais militares apontados como responsáveis pelos disparos estão afastados das ruas e aguardam julgamento no II Tribunal do Júri.
Pais de Herus no velório do filho com foto do jovem e o crachá da empresa onde ele trabalhava — Foto: Reprodução/ TV Globo
O pai do jovem, Fernando Guimarães, cobrou punições e relatou o impacto do caso na família após a nova nomeação.
“A saúde do coração da minha esposa piorou nesse ano que passou, mas iremos seguir em busca de justiça. Sabemos que o Estado passa a mão nesses casos de letalidade policial contra inocentes, mas tenho fé que a justiça virá”, afirmou.
O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou os dois policiais por homicídio qualificado, por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do MP-RJ, a análise das imagens, os laudos periciais e os depoimentos colhidos demonstram que não houve qualquer gesto de Herus que indicasse agressão ou ameaça.
Câmeras corporais de outros agentes registraram o policial Daniel Sousa da Silva tentando desligar o próprio equipamento e, na sequência, admitindo que atirou nas costas da vítima. Já o tenente Felippe Carlos de Souza Martins é acusado pelas investigações de manter a operação na comunidade mesmo ciente da realização da festa junina, que reunia um grande número de moradores e crianças.
A defesa dos agentes do Bope afirmou que Daniel não teve a intenção de matar a vítima e que Felippe cumpria uma determinação e agiu dentro da legalidade.



