Após duas negativas da PF, delação de Daniel Vorcaro segue indefinida na PGR

O destino do banqueiro Daniel Vorcaro está nas mãos da Procuradoria-Geral da República (PGR), depois da Polícia Federal ter negado, pela segunda vez, uma proposta de delação premiada. A corporação, inclusive, entende que o dono do Banco Master deve retornar para a penitenciária da Papuda, ao invés de ficar na superintendência da PF em Brasília, mas o ministro André Mendonça, relator do caso, quer ouvir antes uma manifestação do Ministério Público.
A expectativa é que a resposta dos procuradores possa acontecer nesta semana, para que o ministro decida o local da prisão de Vorcaro. Embora a PF já tenha comunicado por duas vezes a desistência formal do acordo de colaboração, a PGR ainda não fez isso. Os procuradores, assim como os delegados, também já manifestaram aos advogados que as informações apresentadas não seriam suficientes para fechar uma delação, mas não fecharam a porta como a PF já fez em duas ocasiões.
A avaliação da PF é que grande parte das informações já era conhecida a partir das provas reunidas durante a investigação, inclusive dados extraídos do próprio celular do banqueiro. Nos bastidores da investigação, a percepção dos delegados é de que Vorcaro continua preservando aliados e apresentando uma colaboração considerada seletiva.
O professor de Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense, Gustavo Sampaio, explica que embora não seja inviável apenas a PGR fechar a delação, é improvável que isso possa acontecer sem que Vocaro de fato apresente informações relevantes para a investigação do caso Master.
“Nós tivemos, tempos atrás, a colaboração famosa do tenente-coronel Mauro Cid. Nós verificamos que houve muita claudicância até que a colaboração efetivamente acontecesse, de modo que não há impedimento que, mais à frente, a colaboração seja aceita, caso haja uma nova proposta. Mas é bom dizer que a chance cai muito, porque, quanto mais tempo passa, mais a Polícia Federal, no seu esforço investigativo, ajunta provas e, cada vez mais, aumenta a chance de ser desinteressante o que Daniel Vorcaro tem a oferecer“, explica.
Caso a PGR também rejeite a colaboração, Daniel Vorcaro poderá responder às investigações sem os benefícios de uma delação premiada. Mesmo a PGR também siga a PF e rejeite a delação, a defesa deve solicitar benefícios, como prisão domiciliar ou uso de tornozeleira.



