Colômbia chega à Copa de 2026 cercada de dúvidas após queda de rendimento no ciclo

A Colômbia está de volta à Copa do Mundo após ficar fora da edição de 2022, mas desembarca nos Estados Unidos, México e Canadá cercada de incertezas. Dona de uma das trajetórias mais irregulares entre as seleções classificadas, a equipe comandada por Néstor Lorenzo alternou momentos de excelência e fases de forte instabilidade ao longo do ciclo.
A campanha nas Eliminatórias Sul-Americanas terminou com o terceiro lugar, resultado suficiente para garantir a vaga direta no Mundial. Foram sete vitórias, sete empates e quatro derrotas. Atualmente, os colombianos ocupam a 13ª posição no ranking da FIFA.
No ciclo de Copa, a Colômbia acumulou 23 vitórias, 11 empates e sete derrotas. Contra seleções também classificadas para o Mundial, o retrospecto foi de 15 vitórias, oito empates e seis derrotas. O principal resultado foi o vice-campeonato da Copa América de 2024, perdido para a Argentina na prorrogação.
Uma seleção dividida em duas fases
Retrospecto da Colômbia nas Copas do Mundo — Foto: CBN
A trajetória colombiana nos últimos anos pode ser dividida em dois períodos bem distintos.
Entre janeiro de 2023 e julho de 2024, a equipe ficou invicta durante 19 partidas, somando 13 vitórias e seis empates. Nesse período, venceu adversários de peso como Alemanha, Brasil e Espanha, além de alcançar a final da Copa América.
A derrota para a Argentina na decisão continental, porém, marcou uma mudança brusca de cenário. Nos 12 compromissos seguintes, a Colômbia venceu apenas quatro vezes, empatou quatro e perdeu outras quatro.
O resultado é uma seleção difícil de definir. Em alguns momentos, mostra capacidade para competir com qualquer adversário; em outros, apresenta problemas de organização e perde consistência ao longo dos 90 minutos.
Seleção da Colômbia — Foto: CBN
O time-base de Néstor Lorenzo para a Copa do Mundo tem:
Camilo Vargas; Daniel Muñoz, Davinson Sánchez, Jhon Lucumí e Johan Mojica; Richard Ríos, Jefferson Lerma e James Rodríguez; Jhon Arias, Jhon Córdoba e Luis Díaz.
Entre os nomes mais conhecidos estão o atacante Luis Díaz, destaque do Bayern de Munique, o volante Richard Ríos, do Benfica, e o meia James Rodríguez, principal referência técnica da equipe.
Quais são os destaques e pontos positivos
O principal trunfo colombiano segue sendo a qualidade técnica do setor ofensivo.
Luis Díaz chega como a grande estrela da seleção após uma temporada de alto nível na Europa. Jhon Arias e Jhon Córdoba completam um ataque capaz de gerar desequilíbrios individuais, enquanto Richard Ríos e Jefferson Lerma formam uma dupla de meio-campo sólida.
Outro fator importante é a experiência acumulada pelo grupo. Mesmo após uma renovação gradual, a seleção manteve lideranças importantes e preservou uma identidade de jogo baseada na posse de bola e na construção ofensiva.
Além disso, quando atua em sua melhor versão, a Colômbia demonstra capacidade para controlar partidas e enfrentar adversários de elite, como mostrou durante a longa sequência invicta entre 2023 e 2024.
Caminho da Colômbia até a Copa do Mundo de 2026 — Foto: CBN
A aposta em James Rodríguez
A principal discussão em torno da convocação colombiana envolve James Rodríguez.
Apesar da baixa minutagem por clubes nos últimos anos, o meia continua sendo tratado como peça indispensável por Néstor Lorenzo. O treinador defende que o desempenho na seleção deve ter peso maior do que o rendimento recente nos clubes.
Os números ajudam a explicar essa confiança. James foi eleito o melhor jogador da Copa América de 2024 e frequentemente apresenta pela Colômbia um nível de atuação superior ao que mostra em suas equipes.
Ainda assim, há dúvidas sobre sua condição física e capacidade de manter alto rendimento contra adversários mais fortes, especialmente após atuações discretas nos amistosos preparatórios para o Mundial.
A volta da Colômbia aos Estados Unidos também resgata uma memória marcante do futebol colombiano.
Na Copa de 1994, a seleção chegou ao torneio cercada de expectativas após resultados expressivos nas Eliminatórias, incluindo uma histórica goleada sobre a Argentina. No entanto, acabou eliminada ainda na primeira fase.
Dias depois da eliminação, o zagueiro Andrés Escobar foi assassinado na Colômbia. Embora as circunstâncias do crime nunca tenham sido completamente esclarecidas, o episódio permanece como uma das histórias mais trágicas da história das Copas do Mundo.
Trinta e dois anos depois, a Colômbia retorna ao país em busca de um desfecho bem diferente: transformar o talento de sua geração atual em uma campanha consistente no principal palco do futebol mundial.



