Governo muda postura e vê como travada negociação de tarifa de 25% com EUA

Fontes do Palácio do Planalto já admitem dificuldades na negociação do tarifaço de 25% sobre alguns produtos da pauta de exportação para os Estados Unidos e dizem que ‘ninguém deverá escapar’ da tarifa de 12,5% imposta a cerca de 60 países por supostamente utilizarem itens com uso de trabalho escravo.
Antes, a leitura era que Trump poderia recuar da medida, ainda que mediante concessões. Agora, auxiliares do Planalto avaliam que não há flexibilidade por parte do governo norte-americano e que as tarifas tendem a ser consolidadas. Porém, as negociações com a diplomacia continuam no âmbito da Seção 301, que teve itens de investigação contra o Brasil o PIX e o etanol, entre outros. Desde que foi criado após o encontro entre Lula e Trump na Casa Branca, o grupo de trabalho para negociar as tarifas teve somente dois encontros.
Na visão do governo, a gestão Trump precisa enxergar vitória na negociação, não tem a intenção de negociar num ganha-ganha. No entanto, a Casa Branca não exatamente o que quer para ceder. Interlocutores da diplomacia afirmam que o negociar o PIX ou deixar de fazer negócios com a China, por exemplo, está fora de cogitação.
Ao mesmo tempo, há um entendimento de que a proximidade das eleições também atrapalha as negociações do tarifaço – e que o governo Trump gostaria que o Brasil viesse a eleger um candidato ‘dócil’.
Quanto à condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro por coação nesta semana, o fato não piora o relacionamento entre os dois países. O entendimento é que os americanos poderiam arranjar qualquer tema para tensionar em conversas sobre tarifas.



