Caso Gritzbach: Júri é anulado após discussão em julgamento de PMs acusados de matar delator do PCC

Após discussão entre promotor de Justiça e defensores dos réus, o júri dos três policiais militares acusados de executar o empresário Vinícius Lopes Gritzbach, delator do PCC, em 2024, foi anulado.
Antes da anulação, seis das 21 testemunhas já haviam sido ouvidas. Porém, uma nova composição de júri deve ser feita e todas as testemunhas serão ouvidas novamente. O Tribunal do Júri era realizado no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo. Uma nova data para o julgamento será marcada.
O julgamento foi anulado após o promotor Rodrigo Merli Antunes relembrar que um dos advogados, Mauro Ribas Junior, foi vítima de um suposto atentado em Sorocaba.
Outra discussão ocorreu durante o depoimento do perito criminal Leandro Santos Lopes, responsável pela análise dos vestígios do caso. Os defensores reclamaram da atuação do promotor Rodrigo Merli, que respondeu dizendo que “fala com polícia e não com matador de aluguel”. A declaração elevou os ânimos, e o julgamento foi interrompido por alguns minutos.
Após a retomada, o promotor afirmou que os advogados “parecem leões nas redes sociais, mas no tribunal são gatinhos”. Já Cláudio Dalledone, um dos advogados de defesa, acusou o Ministério Público de fazer “jogo de cena” para impedir o encerramento do júri e colocou em dúvida a perícia do caso, alegando contaminação na coleta e manipulação de provas.
O julgamento dos três PMs começou nesta segunda-feira (22) com os depoimentos das testemunhas de acusação. Denis Antonio Martins e Ruan Silva Rodrigues são apontados como atiradores, e Fernando Genauro da Silva, descrito como motorista do carro usado no crime.
Antes da anulação, seis das 21 testemunhas já haviam sido ouvidas. Porém, uma nova composição de júri deve ser feita e todas as testemunhas serão ouvidas novamente. O Tribunal do Júri era realizado no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Depoimentos desta segunda-feira
Nesta segunda, o primeiro a prestar depoimento foi Willian Souza Santos, funcionário do Aeroporto Internacional de Guarulhos baleado na mão durante o ataque. O ponto de maior destaque foi quando a defesa dos réus perguntou se ele conhecia Fernando Genauro.
Willian afirmou que não conhecia o policial e disse ter sido questionado, em depoimentos anteriores, sobre uma suposta negociação de veículo com o acusado. Segundo ele, há um termo de declaração em seu nome mencionando essa negociação, mas negou qualquer contato com Fernando e afirmou que não recebeu informações sobre isso quando esteve no DHPP.
Em seguida, foi ouvida Samara Oliveira, gerente de TI que havia acabado de desembarcar de uma viagem e foi atingida de raspão no abdômen. Tanto ela quanto Willian disseram não conhecer os acusados nem Vinícius Gritzbach. Os dois pediram para prestar depoimento sem a presença dos réus.
O momento mais emocionante da sessão ocorreu durante o depoimento de Simone Novais, viúva de Celso Araújo de Novais, motorista de aplicativo que morreu no local. Os réus passaram a acompanhar o julgamento a partir dessa etapa.
Simone relatou o impacto da morte para ela e para os três filhos do casal, de 5, 15 e 22 anos. Segundo ela, cerca de 40 minutos antes do crime, Celso telefonou dizendo que havia conseguido o dinheiro necessário para pagar uma prestação atrasada do carro da família e que voltaria para casa.
Ela contou ainda que um dos filhos havia manifestado vontade de comer comida japonesa e que o marido decidiu fazer mais algumas corridas para conseguir o valor necessário. O crime aconteceu nesse intervalo. A última vez que a família o viu foi na UTI.
Na sequência, foi ouvido o perito criminal Leandro Santos Lopes. Foi ouvida ainda uma sexta testemunha do processo, um policial militar.



