Representantes do Brasil e dos EUA se reúnem na próxima semana para discutir tarifaço

Representantes do Brasil e dos Estados Unidos voltarão a se reunir na semana que vem para discutir o tarifaço de 25%, previsto para entrar em vigor em 15 de julho, se não houver acordo.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, se reuniu ontem com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer para negociar.
O dia 15 de julho marca o encerramento da investigação baseada na legislação americana que apura práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil.
Para tentar barrar o tarifaço da gestão Donald Trump, o governo brasileiro protocolou um documento chamado de “mapa do caminho”.
O plano aceita aprofundar as discussões e a cooperação técnica em temas sensíveis levantados por Washington, como tarifas alfandegárias, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento.
O Itamaraty avisou que o sistema de pagamentos instantâneos PIX é considerado inegociável e rejeitou enfaticamente que a ferramenta promova discriminação.
Na resposta oficial enviada aos americanos, o chanceler Mauro Vieira disse que o PIX é uma infraestrutura pública de acesso aberto que visa ampliar a concorrência e reduzir custos.
O governo argumenta que o PIX não excluiu empresas estrangeiras; ampliou o mercado brasileiro de pagamentos digitais e criou novas portas de entrada para provedores privados, incluindo empresas americanas.
O Brasil pede que os Estados Unidos reconsiderem as conclusões da investigação e reafirma o compromisso em resolver as questões comerciais por meio de cooperação.
No mesmo dia, o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, enviou uma carta ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos pedindo que o governo Trump segure o tarifaço para depois das eleições.
No documento de 86 páginas, o pré-candidato do PL alega que a pressão tarifária dos Estados Unidos favorece o presidente Lula.
Flávio Bolsonaro oferece vantagens comerciais aos americanos, como a eliminação de tarifas para o etanol e a redução da carga tributária de empresas de cartão de crédito.
No dossiê, o pré-candidato do PL promete aprovar leis para que o PIX não seja conectado ao que chamou de arranjos de liquidação transfronteiriços “não ocidentais”, numa referência à China.
O senador também sugere que, em vez de tarifas generalizadas, o governo americano aplique a Lei Magnitsky sobre os responsáveis pelas práticas comerciais contestadas pelos Estados Unidos.
Nas redes sociais, o presidente Lula acusou Flávio Bolsonaro de entreguismo e afirmou que a pátria não está à venda.
Lula classificou como uma atitude de traidores da pátria a tentativa de adiar a cobrança das taxas para depois das eleições.
Na nota, o presidente Lula afirmou que nunca houve e nem há qualquer justificativa para o tarifaço – nem agora e nem depois.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, disse que a atuação da família Bolsonaro tem atrapalhado as negociações do Brasil com os Estados Unidos.



