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'Frente de rajada' provocou ventos de até 100 km/h no Rio, explica meteorologista

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julho 30, 2026
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'Frente de rajada' provocou ventos de até 100 km/h no Rio, explica meteorologista


O vendaval que atingiu o Rio de Janeiro e provocou estragos em diferentes regiões da cidade foi causado por um fenômeno conhecido na meteorologia como “frente de rajada”. Em entrevista ao CBN Rio, a meteorologista Mariana Palota, do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), explicou que os ventos intensos foram gerados pelo avanço de uma frente fria acompanhada por tempestades severas entre o Paraná e São Paulo.

Segundo a especialista, a frente de rajada ocorre quando uma massa de ar frio desce rapidamente e se desloca na horizontal, formando rajadas muito intensas que antecedem a chegada da frente fria. No caso do Rio, o fenômeno provocou ventos de até 100 km/h, mas não causou a ocorrência de chuva. Mariana explica porque a tempestade não evoluiu para chuva no Rio:

“O vento, ele aconteceu por causa de um temporal que estava acontecendo lá entre o Paraná e São Paulo. Então, a gente tinha uma linha de estabilidade que estava atuando ali, que fez com que essa massa de ar se deslocasse até entre São Paulo e Rio de Janeiro. Mas a chuva em si não aconteceu, não porque ela ficou travada, mas a gente não tem umidade suficiente aqui nessa época do ano para causar chuva. Então, essa frente fria foi se deslocando em alguns pontos aqui de São Paulo, também acho que ali no sul do Rio de Janeiro, a gente teve até alguma chuva ocasional”.

Sobre a influência do El Niño no clima, Mariana afirmou que o fenômeno pode favorecer a permanência de frentes frias mais intensas na Região Sul, mas não tem relação direta com a frente de rajada que atingiu o Rio.

“Sim (há relação da frente fria com o El Niño), mas a frente de rajada não, porque ela costuma acontecer com deslocamento de alguma outra frente fria em outras épocas do ano também. Tem relação, mas não é uma relação tão direta assim”.

Mariana ressaltou que, apesar da intensidade dos ventos, o fenômeno não pode ser comparado a um furacão ou a um tornado. Ela explicou que os furacões apresentam ventos fortes e contínuos durante horas ou dias, enquanto a frente de rajada dura apenas alguns minutos. Já os tornados dependem da formação de um funil associado a tempestades severas, o que não ocorreu no Rio.

A meteorologista também comentou sobre a possibilidade de clima adverso nos próximos dias. De acordo com ela, a passagem da frente fria ainda pode provocar ventos moderados a fortes, principalmente no litoral fluminense. Questionada sobre a possibilidade de o Rio voltar a viver eventos parecidos com o desta quarta-feira, ela explica:

“Esse tipo de evento é mais comum de acontecer entre a primavera e o verão, que é quando a gente tem realmente as tempestades mais intensas. A tendência para o El Niño é que a gente tenha chuvas mais recolhidas para a região sul. Então, a gente pode ter, sim, algumas frentes frias avançando em direção ao Sudeste com um pouco mais de intensidade, mas não é o que vai ditar os próximos meses. O que a gente pode ter é uma tendência um pouco maior de onda de calor”.

Ouça a entrevista completa:



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