PMs acusados de matar suspeito rendido na Paraisópolis são absolvidos

O Tribunal do Júri absolveu os dois policiais militares acusados de matar um suspeito desarmado e rendido durante uma abordagem em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, em julho do ano passado.
A decisão ficou a cargo de sete jurados, sendo cinco homens e duas mulheres, que absolveram os PMs Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima da acusação de executar Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos.
A morte foi registrada pelas câmeras corporais dos agentes que participaram da ação. Outros dois soldados são réus pelo mesmo crime, mas na condição de colaboradores dos executores. No caso deles, o processo foi desmembrado e ainda não há data para o júri.
As imagens mostram os PMs entrando no quarto de uma casa onde estavam quatro suspeitos, que se deitam no chão.
Igor aparece rendido com as mãos na cabeça e, depois, deitado no chão após receber a ordem dos policiais. Novamente recebendo uma ordem, ele começa a se levantar.
Quando ele se levanta, o cabo Renato Torquatto faz o primeiro disparo. Logo em seguida, o cabo Robson Noguchi de Lima também atira contra o jovem.
Até o fim das gravações das quatro câmeras corporais, não há o registro de nenhuma arma sedo apreendida com os quatro suspeitos. A investigação apontou que os PMs não sabiam que os equipamentos estavam funcionando e gravando a ocorrência.
A TV Globo apurou que, na fase final do julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, a defesa dos PMs deixou a defesa técnica e passou a citar uma preocupação genérica do comando da Polícia Militar com as mortes de agentes e usar frases de efeito, como “é melhor sete me julgando do que seis me carregando”.
O advogado dos policiais também chegou a usar fotos do príncipe William para argumentar que uma mesma cena pode ser interpretada de maneiras diferentes conforme o ângulo em que é registrada.
Em uma fotografia, registrada lateralmente, o gesto dá a impressão de que William faz um sinal obsceno com o dedo médio. Mas imagens feitas de outro ângulo mostram que ele apenas erguia três dedos para indicar o nascimento do terceiro filho.
A comparação foi usada para defender que as imagens das câmeras corporais dos policiais também poderiam induzir a interpretações equivocadas.
Em nota, os advogados da família de Igor informaram que já entraram com recurso contra a sentença “por entenderem que a decisão é manifestamente contrária às provas”.
A decisão desta quinta-feira se junta a outros dois julgamentos recentes em São Paulo em que o júri popular aceitou as teses das defesas de policiais militares acusados de homicídios.
Em novembro do ano passado, o Tribunal do Júri absolveu um PM de folga pelo assassinato do campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo, de 33 anos. Henrique Velozo atirou na cabeça do lutador após uma discussão entre os dois durante um show de pagode. Os jurados entenderam que o PM agiu em legítima defesa.
E em outubro de 2025, o júri popular entendeu que o policial militar Vinicius de Lima Britto agiu em legítima defesa ao matar o jovem Gabriel Renan da Silva Soares com 11 tiros pelas costas após o furto de pacotes de sabão em um mercado na Zona Sul da cidade. Ele acabou condenado por homicídio culposo — quando não há intenção de matar.
Mas em abril deste ano, a Justiça de São Paulo anulou o julgamento por entender que o veredicto do júri contrariou as imagens das câmeras de segurança do estabelecimento, que registraram a ação.



