Trump vota por correios em eleições dos EUA após denunciar tipo de votação como 'corrupta'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, votou por correio nas primárias republicanas da Flórida, que ocorrem nesta terça-feira (18), apesar de ter denunciado repetidamente a prática como corrupta e de ter pressionado para restringir seu uso antes das eleições de meio de mandato de novembro.
Registros eleitorais do Condado de Palm Beach, citados pela mídia americana, mostram que Trump solicitou uma cédula no final de julho e a devolveu na semana passada para as eleições em seu estado adotivo.
Trump alega há anos, sem provas, que a votação por correio é altamente vulnerável a fraudes, os associando repetidamente à sua falsa afirmação de que a eleição presidencial de 2020 lhe foi roubada.
‘As cédulas enviadas pelo correio são inerentemente corruptas’, disse ele durante um discurso em julho sobre segurança eleitoral.
A Casa Branca afirmou que não havia contradição porque Trump estava fora da Flórida, apontando para exceções na legislação que o presidente vem defendendo para restringir a prática.
‘Como disse o presidente Trump, a Lei SAVE America prevê exceções de bom senso para que os americanos usem o voto por correio em casos de doença, deficiência, serviço militar ou viagens — mas o voto universal por correio não deve ser permitido porque é altamente suscetível a fraudes’, disse a porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, à AFP.
‘Como todos sabem, o presidente reside em Palm Beach e participa das eleições na Flórida, mas obviamente sua principal residência é na Casa Branca, em Washington D.C. Isso não é notícia’, disse ela.
Autoridades da Casa Branca afirmam que Trump não visita o estado da Flórida há meses.
A legislação da Flórida permite que qualquer eleitor registrado e elegível solicite uma cédula de votação pelo correio, embora o estado, controlado pelos republicanos, tenha endurecido as regras de identificação e manuseio das cédulas nos últimos anos.
Suprema Corte dos Estados Unidos. — Foto: Reprodução/Wikipedia
Enquanto isso, Trump pressionou o Congresso a aprovar o SAVE America Act, que imporia requisitos mais rigorosos de identificação e cidadania e restringiria drasticamente a votação por correio, ao mesmo tempo que sua administração pede à Suprema Corte que restabeleça partes de uma ordem executiva sobre procedimentos eleitorais bloqueada por tribunais inferiores.
Não é a primeira vez que Trump usa um sistema que ele ataca regularmente.
Ele votou por correio no Condado de Palm Beach em 2020 e novamente durante uma eleição especial na Flórida no início deste ano. Após esta última votação, Trump defendeu o fato de ter votado por correio enquanto estava fora do estado, mas reiterou sua oposição mais ampla.
‘Não, acho que o voto por correio é uma coisa terrível. Acho que se você for votar, você deve ir pessoalmente’, disse.
As primárias da Flórida incluem a disputa republicana para suceder o governador Ron DeSantis, cujo mandato está chegando ao fim, com Trump apoiando o congressista Byron Donalds.
Em julho, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos pediu à Suprema Corte que permita a aplicação de um decreto que restringe o voto por correio no país. O pedido ocorre meses antes das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.
A medida havia sido suspensa por um tribunal de apelações após ser contestada em 23 estados e no Distrito de Colúmbia. O governo de Donald Trump quer que as novas regras passem a valer enquanto o caso ainda é analisado pela Justiça.
Assinado em março por Donald Trump, o decreto cria uma nova exigência para o voto por correspondência nos Estados Unidos. A proposta prevê um cadastro federal de eleitores autorizados a receber cédulas pelo correio, com informações reunidas pelo Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) e pela Administração da Seguridade Social.
Os estados que entraram com ações contra a medida afirmam que o presidente não tem autoridade para alterar as regras eleitorais. Segundo eles, a Constituição determina que essa competência pertence aos estados e ao Congresso.
Em junho, uma juíza federal bloqueou a aplicação do decreto nas eleições de novembro para os estados que entraram com a ação na Justiça.
Trump afirma que a medida busca evitar que pessoas sem cidadania americana votem. No entanto, autoridades e estudos apresentados no processo apontam que casos desse tipo são raros no país. Mesmo assim, a prática é considerada crime e pode levar à deportação.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos — Foto: Divulgação/Casa Branca



