Em acordo sobre petróleo da Venezuela, EUA terão prioridade de compra de 80% da produção, diz agência

Um ficha divulgada pela Casa Branca revelou as primeiras informações do acordo entre os Estados Unidos e a Venezuela em relação ao controle do petróleo. Entre as diretrizes, está que os EUA terão a primeira oportunidade de comprar cerca de 80% da produção de petróleo da North American Blue Energy Partners (NABEP), uma empresa privada que recebeu concessões de 100 anos para explorar 17 campos de petróleo na Venezuela.
As informações foram reveladas pela agência de notícias Bloomberg.
A Casa Branca afirmou que o petróleo bruto será fornecido ao custo de produção. A NABEP também concede ao Departamento de Estado dos EUA o direito de comprar 20% da produção proveniente dos campos atuais e futuros, assegurando um fornecimento estável de petróleo a preços baixos, conforme consta no documento
Além disso, os EUA terão poder de veto sobre a nomeação de qualquer membro do conselho de administração da empresa e a maioria dos membros do conselho deverá ser composta por cidadãos americanos.
Na segunda-feira (31), Trump valorizou o acordo acordo, chamando-o de ‘talvez o melhor acordo já feito’ e disse que pretende usar o petróleo para ajudar a restaurar o estoque de emergência dos EUA.
‘Uma das coisas que quero fazer com todo esse petróleo que temos agora é abastecer essas reservas estratégicas, e faremos isso rapidamente. Vamos extrair esse petróleo. Ele está todo vindo para os EUA para ser refinado’, declarou no salão oval da Casa Branca.
Navios-tanque com petróleo na Venezuela. — Foto: AFP
A NABEP afirmou que planeja aumentar a produção de suas operações no Lago Maracaibo e na Faixa do Orinoco, na Venezuela, para mais de 1 milhão de barris de petróleo por dia.
O acordo petrolífero entre os EUA e a Venezuela representa o resultado de uma política de Trump de expansão da influência na América Latina.
Autoridades americanas afirmaram explicitamente que os contribuintes não terão que arcar com os custos do empreendimento. Em vez disso, o foco americano do acordo é o Escritório de Capital Estratégico do Pentágono, que deterá uma participação acionária de 35% na empresa controladora da NABEP, de acordo com a ficha informativa.
A Casa Branca afirmou que isso representa até centenas de bilhões em valor e dividendos para os EUA.
O acordo de Trump também enfrenta desafios políticos. Persistem dúvidas sobre se o acordo seria totalmente aceito por um futuro presidente americano, ou como ele resistiria a uma eventual crise política na Venezuela.
Alguns membros da oposição venezuelana também temiam que um acordo entre os EUA e a presidente interina Delcy Rodríguez pudesse reduzir as chances de uma transição política, consolidando seu poder e diminuindo o incentivo do governo Trump para promover mudanças.
A Casa Branca reafirmou na segunda-feira seu apoio às reformas políticas por meio de negociações entre o governo atual, que denominou ‘autoridades interinas’, e um setor da oposição. Uma segunda rodada de negociações está prevista para começar em setembro.



