Banhistas voltam a apostar na 'farofa' para economizar nas praias

Para driblar os altos preços, banhistas voltaram a apostar num antigo hábito: o de “farofar” nas praias, levando tudo que der pra carregar na mão para evitar ter gastos além da conta na hora do lazer.
Nesta quarta-feira (28), muita gente aproveitava para curtir o sol e o forte calor na Praia do Arpoador, na Zona Sul do Rio, em meio a sacos de gelo, isopor e bolsas térmicas lotadas de sanduíches, salgadinhos, biscoitos e bebidas de todos os tipos.
Foi o que fez o vendedor Leonardo Basaglia, que curtia a praia com a família com um um cooler cheio de opções para beliscar.
“A gente gosta de trazer (comida para praia) porque a gente faz questão de saber a procedência e também para economizar.”
Desde o início do verão, cariocas e turistas têm reclamado de cobranças abusivas por parte de barracas e quiosques. Na virada do ano, numa praia de Armação dos Búzios, na Região dos Lagos, um cardápio com um prato de arroz, feijão, frango e fritas vendido a R$ 470 viralizou. Além disso, banhistas com sotaque de fora do Rio reclamam que alguns comerciantes cobram mais caro deles.
A técnica em saúde bucal Roberta Rodrigues soube da situação acompanhando reportagens, já que não tem o hábito de ir à praia. Nesta quarta-feira, ela decidiu sair de casa para isso depois de anos, mas preferiu se prevenir, levando, inclusive a cadeira e o guarda-sol.
“Trouxemos sanduíche, água, suco, cadeira, guarda-sol. (Trouxemos) para economizar, porque eu tenho visto reportagens que os preços estão bastante altos.”
Banhistas voltam a apostar na ‘farofa’ para economizar na praia — Foto: Isa Morena / CBN
Já a Daiane Cristina José dos Santos costuma ir à praia com os três filhos. Ela conta que já gasta muito com o deslocamento, então, não tem medo de “farofar”. Ela procura levar comidas e bebidas de casa para o passeio não pesar muito no bolso.
“Trouxe água, suco, refrigerante, sanduíche natural, biscoito e iogurte para as crianças. Estou aqui com meus filhos, que são gêmeos, e minha filha adolescente e a amiga dela, que é minha vizinha. Então, é importante trazer bastante coisa. Porque criança come, né?”.
No último dia 10, o prefeito Eduardo Paes chegou a afirmar, numa rede social, que tinha pedido um estudo para avaliar a hipótese de tabelar os produtos que são vendidos na orla do Rio de Janeiro. A medida teria o objetivo de coibir abusos e evitar uma escalada de preços, mas, até agora, isso não saiu do papel.
A CBN pediu um posicionamento da prefeitura sobre o tabelamento de preços na orla e aguarda resposta.
Para tentar conter os abusos, o Procon Carioca iniciou, há duas semanas, a Operação Preço Justo na Praia para vistoriar os valores cobrados na orla do Rio. Em balanço do primeiro fim de semana da fiscalização, os agentes constataram que mais de 60% das barracas funcionavam sem uma relação de preços à vista. Dos 372 pontos visitados nas praias do Rio até então, 232 não tinham uma tabela.







