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A Festa dos Azarões: como as zebras estão redesenhando a Copa do Mundo de 2026

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julho 4, 2026
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A Festa dos Azarões: como as zebras estão redesenhando a Copa do Mundo de 2026


Noventa minutos e nenhuma certeza. A Copa do Mundo de 2026 vai ficando marcada na história não apenas pela magnitude, mas pela queda dos gigantes. No Catar, em 2022, a gente já tinha sentido o cheiro da mudança. Mas agora, em 2026, as “zebras” resolveram passear de vez nos gramados da América do Norte. E o que era surpresa virou realidade. Até mesmo a estreante Cabo Verde, do goleiro Vozinha, assustou os atuais campeões nesta sexta e forçou a Argentina a jogar até a prorrogação para garantir uma sofrida classificação às oitavas.

Para os donos da casa, o uniforme de azarão já ficou no passado. O México entrou no torneio sob desconfiança, mas jogo a jogo, transformou o ceticismo em euforia. De desacreditados, os mexicanos agora entram em campo sob os gritos de “favoritos” e terão pela frente a Inglaterra nas oitavas de final, em pleno estádio Azteca. Uma metamorfose que o torcedor nas ruas faz questão de ostentar no peito, como o Rafael Barradas.

‘A verdade é que para nós é uma Copa do Mundo muito especial. Há muito tempo não vivíamos uma ilusão assim. A partida contra o Equador foi histórica, porque México não disputava um mata-mata em casa desde 1986. E ver a equipe avançar nos encheu de um grande orgulho. Acho que jogar como local influencia muito. O apoio da torcida foi impressionante e se sente uma conexão muito forte entre a seleção e o povo mexicano. Além disso, notei algo muito bonito. Muitos torcedores de outros países, incluídos brasileiros, marroquinos, iranianos e muitas outras nacionalidades, também tem mostrado carinho pelo México.’

Mas se o México construiu a escalada jogo a jogo, em Assunção a explosão foi imediata. E o confronto futebolístico teve sotaque europeu. Ninguém, absolutamente ninguém, esperava o que aconteceu no confronto contra a poderosa tetracampeã Alemanha. A vitória paraguaia quebrou qualquer previsão e parou o país sul-americano no confronto que entrou para a história como a “Batalha de Boston”.

Até mesmo o presidente do país, Santiago Peña, foi às redes sociais comemorar e declarou um feriado nacional no calor da emoção, logo após o apito final. Uma festa que ecoou na voz de cada cidadão, como o Arsenio Sanchez:

‘”Pra mim foi incrível, né? Foi uma noite absurda porque acho que nem todo mundo acreditava no Paraguai. A Alemanha veio muito bem, veio muito forte, mas eu acho que o Paraguai tem uma coisa que a gente chama de garra, né? La Garra. Então, a gente fica muito feliz, muito contente pela vitória”

Enquanto o mundo assiste a essas reviravoltas de boca aberta, aqui no Brasil o fenômeno das zebras ganha um contorno diferente. Em vez de lamentar a queda dos astros bilionários ou chorar pelos ídolos do futebol europeu que fazem as malas mais cedo, o torcedor brasileiro escolheu um lado: o do mais fraco. Nos bares e nas redes sociais, a simpatia pelo “Davi” contra o “Golias” virou quase uma regra de conduta, como ficou claro da torcida pelo Paraguai e por Cabo Verde

Os brasileiros conhecem bem a fórmula de que a graça do futebol está justamente nessa quebra de roteiro. Seja pela paixão que renasce no México, pelo milagre festejado no Paraguai, ou pelo puro prazer do torcedor brasileiro em ver a lógica ser desafiada, a Copa de 2026 já deixou um recado bem claro: no maior palco do mundo, a camisa não ganha mais jogo sozinha..



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