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De olho no eleitorado feminino, esposas de Lula, Flávio e Caiado assumem protagonismo nas campanhas

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agosto 15, 2026
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De olho no eleitorado feminino, esposas de Lula, Flávio e Caiado assumem protagonismo nas campanhas


Para atrair o maior eleitorado do país: o feminino, os candidatos à presidência da República escalaram as esposas, de forma estratégica. Elas assumem em parte o protagonismo e atuam diretamente em busca de atrair apoios políticos. Além da presença forte nas redes sociais, elas serão vistas com frequência nos palanques e programas eleitorais. A primeira-dama Janja da Silva,  Fernanda Bolsonaro, e Gracinha Caiado devem intensificar a participação na agenda com o início oficial da campanha. Criticada por uma ala do governo e alvo de denúncias por gastos com assessores, Janja busca se impor e tem sido praticamente a porta-voz do Planalto no combate à violência contra mulheres e na defesa da regulamentação das redes sociais, principalmente na proteção de crianças e adolescentes. Ela participa de publicações nas redes sociais em colab com Lula e o PT para engajar o público. E gravou vídeo para chamar apoiadores para o ato de lançamento da campanha, neste domingo.  

“Presidente Lula e eu vamos estar esperando vocês, é um momento histórico para contar a história do Presidente Lula e do Brasil do futuro, esperamos vocês!”
Janja em vídeo para campanha de Lula

Janja em vídeo para campanha de Lula

Sem a vice dos sonhos, Flávio Bolsonaro quer Fernanda Bolsonaro atraindo a fatia do eleitorado que ele tem mais dificuldade assim como o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda mais depois que Michelle Bolsonaro disse que foi maltratada e humilhada pelo candidato. Agora, ele conseguiu selar uma trégua e conta com a esposa que está mais ativa nas redes sociais e até participa das lives.

“Obrigada pelo carinho, viu? Eu acabei de postar no Instagram também, as mensagens de carinho que eu tô recebendo, viu? Gente, obrigado pelo carinho com a Fernanda”.
Fernanda Bolsonaro em vídeo para campanha de Flávio

Fernanda Bolsonaro em vídeo para campanha de Flávio

A mulher de Ronaldo Caiado, Gracinha Caiado, também tem sido presença fiel em alguns eventos para melhorar a comunicação com o público feminino. Gracinha é candidata ao Senado e faz duplo papel nas agendas de campanha. Nos discursos, ela engrossa o tom para associar Lula à corrupção e destaca como o marido atuou quando governador.

“Que nunca foi envolvido com mensalão, com petrolão, com lava-jato e muito menos com banho-massa, a colocar Goiás no rumo e foi isso que o comandante e chefe das forças de segurança do estado, Ronaldo Caiano, fez enquanto foi governador”.

Romeu Zema, do Novo, e Renan Santos, do Missão, não são casados, mas tentam atrair o público feminino, no entanto de uma forma mais tímida. Zema elaborou o plano de governo com auxílio de quatro mulheres em áreas como gestão pública e eficiência de governo, meio ambiente, saúde, cultura e turismo. Já Renan é o único candidato que tem como mulher a coordenadora geral de campanha. Amanda Vettorazzo foi a única figura feminina presente no palco quando ele foi lançando. Mas quando questionado sobre como atrair o eleitorado feminino a resposta é: propostas de um Brasil melhor. 

Ainda não há um estudo sobre a efetividade da participação das mulheres dos  candidatos  nas campanhas. Mas  o cientista político Lucio Rennó, da UNB, acredita que as eleitoras podem até se identificar com as esposas dos candidatos, mas outras questões influenciam na escolha. 

“Uma parcela grande desse eleitorado acaba decidindo como eleitores do sexo masculino baseado em outros elementos também, suas preferências ideológicas, suas posições sobre temas políticos, suas visões sobre as diferentes candidaturas, então tem vários outros elementos que são provavelmente mais importantes para a escolha do eleitorado feminina do que o apoio ou não da esposa do candidato”.

Para a cientista política e idealizadora do projeto Mulheres que Pensam o Brasil, Gabriela Rollemberg, a utilização da imagem da esposa para humanizar candidatos ou suavizar rejeições não é novo, apenas agora está focada no marketing eleitoral. Na opinião dela, só ter carisma não basta.

“Elas passam a ser acionadas como centrais cabos eleitorais para transferir capital afetivo, dialogar com nichos específicos do eleitorado e cobrir o déficit de empatia das candidaturas masculinas. Sob a ótica da ciência política e do direito eleitoral, precisamos de fazer um alerta rigoroso. Se as mulheres estivessem de fato sendo respeitadas nos seus lugares de direito de poder, elas não estariam sendo posicionadas apenas como acessórios de poder ou cabos eleitorais de luxo. Elas estariam na cabeça da chapa como candidatas a cargos majoritários como a Presidência da República”.

Isso porque esse eleitorado, que é independente, tem agora as suas próprias bandeiras.



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