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Depoimentos à PF revelam versões divergentes sobre segurança na Voepass antes da queda do avião em Vinhedo

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agosto 8, 2026
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Depoimentos à PF revelam versões divergentes sobre segurança na Voepass antes da queda do avião em Vinhedo


Depoimentos de 30 pessoas à Polícia Federal revelam versões divergentes sobre a cultura de segurança operacional da Voepass antes da queda do voo 2283, em Vinhedo, no interior de São Paulo. Enquanto diretores e gestores da companhia negaram qualquer orientação para esconder panes ou deixar de registrar falhas, pilotos e funcionários relataram situações em que problemas eram comunicados apenas depois da chegada das aeronaves a bases com maior estrutura de manutenção.

A aeronave caiu em 9 de agosto de 2024 e matou as 62 pessoas que estavam a bordo. A Polícia Federal indiciou 16 pessoas pelo acidente. A CBN teve acesso aos depoimentos prestados durante a investigação.

Gestores negam restrições para manutenção

O ex-presidente executivo da Voepass, Eduardo Magalhães Rodrigues Busch, afirmou à PF que não participava das decisões técnicas relacionadas à manutenção ou ao despacho dos voos. Segundo ele, essas decisões eram de responsabilidade das áreas especializadas e nunca houve restrição financeira para a compra de peças ou a realização de reparos.

O presidente e controlador da companhia, José Luiz Felício Filho, reconheceu que a empresa enfrentava problemas operacionais e de manutenção, especialmente em razão do tamanho reduzido da frota e das dificuldades enfrentadas no período posterior à pandemia. Ele, porém, afirmou que as decisões sobre a aeronavegabilidade eram tomadas pelos setores técnicos e negou qualquer orientação para descumprir normas de segurança.

O diretor de operações, Marcel Sarquis Moura, o chefe do Centro de Controle Operacional, Rafael Limongi de Figueiredo, e o gerente do Centro de Controle de Manutenção, Juliano Flores Pacheco, também negaram a existência de uma política para ocultar falhas.

Segundo eles, a empresa dependia dos registros feitos por pilotos e mecânicos. Sem a anotação no livro técnico da aeronave, não seria possível aplicar restrições ou impedir um voo.

Pilotos relatam adiamento de registros

Pilotos ouvidos pela Polícia Federal apresentaram uma versão diferente. Marcelo Mantovani e Paulo Eduardo Pereira dos Santos relataram situações em que os registros de problemas eram deixados para bases maiores, como Ribeirão Preto e Guarulhos, que tinham mais estrutura de manutenção.

De acordo com os relatos, a prática poderia evitar impactos na programação dos voos. O despachante Marcos Sato também reconheceu que esse tipo de situação ocorria em alguns casos.

O gerente do Centro de Controle Operacional, William Agates, afirmou que nenhuma informação sobre uma falha no sistema de degelo da aeronave chegou oficialmente ao setor antes do acidente. Segundo ele, se o problema tivesse sido comunicado, a empresa poderia ter trocado a aeronave ou alterado a rota.

Falha no sistema de degelo

Os depoimentos também apresentaram consenso sobre um aspecto técnico relacionado às condições enfrentadas pelo ATR-72. Pilotos experientes afirmaram que a aeronave não deve permanecer em uma área de gelo severo, mesmo quando o sistema de degelo está funcionando.

Nessas condições, o procedimento correto seria deixar imediatamente a área de gelo, por meio de uma descida ou mudança do nível de voo.

A Polícia Federal também analisou um grupo de WhatsApp chamado ‘Segurança Operacional’. As mensagens passaram a integrar a investigação por reunirem integrantes das áreas técnicas da empresa e tratarem de documentos, registros operacionais e medidas adotadas depois do acidente.

Cultura de segurança é foco da investigação

Os depoimentos deixaram uma questão central para a investigação: a ausência de registros sobre a falha no sistema de degelo foi resultado de erros individuais ou refletia uma cultura operacional que tolerava o adiamento de reportes para evitar impactos na operação da companhia?

Os relatórios da Polícia Federal e os depoimentos dos investigados devem fornecer novos elementos para esclarecer as circunstâncias que antecederam a queda do voo 2283.



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