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Em busca de 'reconhecimento', adolescentes são mais suscetíveis a 'desafios' online, explica especialista

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agosto 14, 2026
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Em busca de 'reconhecimento', adolescentes são mais suscetíveis a 'desafios' online, explica especialista


De acordo com a ANPD, o Discord apresenta falhas graves na proteção de menores de idade. A agência ainda afirma que o sistema tem sido usado de forma recorrente em casos de violência, assédio e indução à automutilação e ao suicídio.

Em entrevista ao Estúdio CBN nesta sexta-feira (14), Fernanda Campagnucci, diretora executiva do InternetLab, explica que a suspensão das transmissões, por hora, é mais efetiva do que bloquear a plataforma como um todo.

“(Com o bloqueio) sabemos que existe uma migração de usuários para outras plataformas e isso não resolve o problema. Quando tratamos desse ambiente das redes sociais, precisamos pensar de forma sistêmica, é um ambiente complexo. Isso é algo que, por si, não resolve, mas dá um tempo para a empresa se adequar. Ela pode apresentar outras alternativas para a agência reguladora, como limitar a funcionalidade da live ou limitar a presença de crianças, por exemplo. Então, esse tipo de troca, de ponderação, ela vai fazer nesse momento para tentar se adequar e atender essa exigência da lei de proteger as crianças e adolescentes”, diz.

Fernanda afirma, ainda, que é preciso que todas as plataformas observem e se adequem às diretrizes do ECA Digital. Em vigor no Brasil desde 17 de março deste ano, a legislação estabelece regras para a proteção de crianças e adolescentes em plataformas digitais (como redes sociais, sites e jogos online), além de responsabilizar as empresas responsáveis.

Um dos mecanismos que podem ser promovidos por tais para gerar um ambiente digital adequado e seguro seria, como menciona a especialista, o controle parental.

“Se uma criança tem conta na plataforma, o pai, a mãe, enfim, os responsáveis, eles têm que conseguir ajustar o que ela está vendo e o que ela pode ver, que tipo de conteúdo ela está acessando. E quanto mais nova essa criança, mais esse controle tem que ser feito. Tem uma progressão do amadurecimento da criança e do adolescente. Esse controle vai diminuindo, mas (a plataforma) tem que permiti-lo. Estamos falando de um sistema que está sendo olhado por inteiro a partir de uma legislação recente”, elucida.

Por que adolescentes estão mais suscetíveis aos ‘desafios’ propostos nas redes sociais?

Questionada sobre por que os “desafios” online tendem a ser tão atraentes aos adolescentes, bem como quais são os perfis dos jovens procurados, Fernanda diz que é preciso dar um passo atrás e entender o ambiente digital em que estão inseridos.

“É um ambiente digital que estimula um comportamento de vício, que estimula a permanência ali diante da tela, que gera ansiedade também por um reconhecimento de pares. Então, tem graus de vulnerabilidade que crianças e adolescentes podem estar passando muito diferentes… Com mais ou menos acompanhamento de responsáveis, com mais ou menos articulação mesmo sobre o sofrimento. A gente tem o fenômeno agora dos chatbots que têm sido usados para fazer, para a companhia, imagina o grau de solidão dessas pessoas. Tudo isso acontece dentro desse contexto em que a gente tem uma vulnerabilidade maior das crianças e adolescentes, o laço social também está mais fraco, com menos interações presenciais. Então, a criança ou adolescente que está naquele contexto, ele pode sim, em busca de atenção e de reconhecimento, ficar mais suscetíveis a participar desses desafios”.

Ouça a entrevista completa:



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