Janja terá papel central em estratégia de Lula para ampliar apoio entre mulheres evangélicas

A campanha do presidente Lula à reeleição aposta na atuação da primeira-dama Janja da Silva para ampliar o diálogo com mulheres evangélicas e buscar novos votos entre esse segmento do eleitorado. À CBN, um integrante da campanha disse que Janja terá papel fundamental na aproximação com esse público.
A avaliação interna do PT é de que, como Lula é declaradamente católico e Janja não segue uma religião específica, ela teria maior capacidade de estabelecer uma interlocução com as mulheres evangélicas.
O movimento começou a ganhar forma com um vídeo publicado por Janja em que ela convoca eleitores de Lula a participarem de comitês evangélicos. A campanha pretende instalar esses grupos nos estados, com a missão de reunir apoiadores e ampliar a presença do petista nos redutos religiosos.
Segundo um interlocutor, Janja fará uma rodada de diálogos pelo país e, mais do que apresentar propostas, a orientação é que ela vá para ouvir as mulheres evangélicas. “Janja será fundamental nisso”, disse.
PT aposta em lideranças religiosas para ampliar alcance
A estratégia também prevê a participação de lideranças evangélicas ligadas à campanha. Um integrante do núcleo inter-religioso disse que a ideia é aproveitar a própria dinâmica da comunidade religiosa: “a cultura evangélica é que: evangélico fala com evangélico”.
Por isso, segundo ele, não caberia a Lula e Janja fazer diretamente um pedido de votos a esse eleitorado. O papel principal seria dos comitês nacionais de evangélicos com Lula, que deverão ligar os apoiadores aos redutos religiosos para apresentar ações e resultados do governo.
Presidente Lula e a primeira-dama Janja — Foto: Edilson Dantas / O Globo
Entre os pontos que a campanha pretende destacar estão a saída do Brasil do Mapa da Fome, o Desenrola e o Pé-de-Meia. Na avaliação do partido, o programa voltado aos estudantes pode ajudar a levar a mensagem do governo para dentro das famílias, já que a juventude seria majoritariamente cristã.
A campanha também pretende explorar a presença da música gospel na cultura brasileira. Para esse diálogo, Janja conta, segundo o interlocutor, com o apoio do cantor Cléber Lucas.
Militância será ‘extensão’ da estratégia de Janja
O núcleo religioso da campanha também cita a possibilidade de Janja contar com a interlocução de parlamentares e lideranças evangélicas ligadas à legenda para ampliar essa atuação. Entre os nomes mencionados estão a deputada Benedita da Silva, a senadora Eliziane Gama e a deputada Camila Jara.
A orientação é transformar a própria militância em uma espécie de extensão da primeira-dama. A ideia apresentada internamente é de que “cada mulher evangélica seja a Janja, e cada homem seja o próprio Lula”, em uma estratégia de multiplicação da comunicação dentro das igrejas.
A campanha avalia ainda que existe espaço para crescimento de Lula entre os evangélicos e tenta desconstruir informações falsas de que o PT seria contra esse segmento ou teria intenção de fechar igrejas. Para o PT, também não cabe mais tratar o eleitorado evangélico como um grupo que está integralmente distante do presidente.
Flávio Bolsonaro mantém vantagem entre evangélicos
Apesar desta expectativa do partido, a estratégia ocorre apesar da vantagem de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos apontada pela última pesquisa Datafolha. Segundo os dados, o senador aparece com 62% das intenções de voto nesse segmento, contra 29% de Lula.
Em julho, Flávio tinha 60% e Lula, 31%. Entre os católicos, o cenário se inverte: Lula registra 54%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 36%.



