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Jovens negros são a maioria das vítimas da letalidade policial em 2025, indica relatório

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julho 3, 2026
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Jovens negros são a maioria das vítimas da letalidade policial em 2025, indica relatório


Cerca de 64,8% das vítimas de letalidade policial no Brasil são jovens de até 29 anos, homens e moradores de periferias e favelas. Os dados constam na sétima edição do relatório “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, realizado pela Rede de Observatórios da Segurança. O levantamento analisou dados de 2025 obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto às secretarias de Segurança Pública de nove estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

No total, foram registradas 4.330 mortes decorrentes de intervenção estatal em 2025 nos territórios monitorados. A pesquisa identificou um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior. Quando isolados os dados com informações de raça ou cor, constata-se que 86,3% das vítimas (3.104 pessoas) eram negras. Na média geral, pessoas negras sofrem quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que pessoas brancas. O impacto geracional também é alarmante: 312 crianças e adolescentes de até 17 anos foram mortos pelas forças de segurança no período.

“Jovens negros permanecem sendo os maiores alvos da letalidade policial”

Em entrevista ao CBN Madrugada com Klauson Dutra, Jonas Pacheco, coordenador de pesquisa do relatório e mestre em ciências sociais pelo PPCIS-UERJ, avaliou que os números refletem um processo histórico estruturado de vulnerabilização da população negra no Brasil. “Não importa onde você esteja, ser negro no Brasil é uma batalha diária para você preservar a sua vida e preservar os seus direitos”, enfatiza o especialista.

Pacheco destaca que a violência estatal atinge de maneira desigual não apenas os cidadãos, mas também os próprios agentes de segurança. “Quando a gente percebe também que entre os policiais que morrem, eles também são majoritariamente negros. Eles também são os policiais de baixa patente, os praças, que são colocados nesse tipo de condição”, explica o pesquisador.

O especialista em Segurança pública analisa que a tendência geracional se manteve em 2025: a maioria das vítimas eram homens de até 29 anos. A pesquisa indica ainda que as crianças e os adolescentes até 17 anos somaram 312, evidenciando a violência nas infâncias e juventudes.

São Paulo registrou o maior número de vítimas de sua série histórica, com 834 mortes por intervenção policial em 2025. O estado acumulou quase 5 mil mortes em sete anos. A elevação da letalidade ocorreu na contramão dos indicadores criminais da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), que apontaram quedas em furtos (6,3%), roubos (18,8%) e latrocínios (superior a 50%) no mesmo período.

O Rio de Janeiro registrou 800 mortes causadas por agentes de segurança no último ano, um aumento de 13,8% em relação a 2024, incluindo duas crianças na faixa de 0 a 11 anos. O crescimento foi impulsionado pela “Operação Contenção”, realizada em outubro nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou em mais de 120 mortes. A capital fluminense concentra 56,3% das mortes no estado.

O Amazonas tem a maior proporção de vítimas negras entre os nove estados monitorados:

96% dos mortos pela polícia. A grande diferença, porém, é geográfica: houve um aumento de 35% de casos no interior do estado, em municípios com menos de 50 mil habitantes, que agora concentram 62,8% do total. No ano em que Belém sediou a COP 30, a letalidade policial do Pará atingiu o maior patamar da série histórica, com 632 mortes, sendo 66% de jovens entre 12 e 29 anos.

A Bahia, estado com maior população negra do país, lidera o acumulado de sete anos, com 8.743 mortos. Dos 365 dias do ano de 2025, 346 tiveram registros de mortes por forças policiais no estado. Em Pernambuco, a letalidade policial cresceu 30,9% em 2025 e a pesquisa indica que negros têm 11 vezes mais chances de morrer pela polícia. O Ceará registrou 200 mortes por intervenção policial em 2025, o maior número da série histórica, e as pessoas negras representaram 87,1% das vítimas.

No Maranhão, mais da metade dos registros de letalidade policial não possuem a informação de raça ou cor das vítimas, ocultando o impacto racial da violência estatal. “Dificulta muito porque a gente não consegue ter um diagnóstico preciso do que de fato está acontecendo. O que a gente tem por padrão é que quando a qualidade desse dado melhora, a proporção dos negros que são os informados, ela aumenta. Ou seja, quanto melhor a informação, mais escancarado isso fica evidenciado”, explica Jonas Pacheco, coordenador de pesquisa do relatório e mestre em ciências sociais pelo PPCIS-UERJ.

O Piauí foi o único estado monitorado que apresentou redução nos índices oficiais de letalidade policial, com 20 mortes em 2025. O especialista indica que o estado aplicou protocolos anti-racistas no período, o que pode justificar os números. “O estado do Piauí não teve ‘não informado’. Todas as mortes, todas as vítimas tiveram sua cor e sua raça informadas (…) Isso mostra como você ter um dado qualificado contribui para você ter uma política pública mais efetiva”, comenta.



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