Now Reading:

'Poder de manipular muito grande': vítima de falsa adolescente no RJ relata como golpista atuava

Share Page
junho 4, 2026
5 Min Read

'Poder de manipular muito grande': vítima de falsa adolescente no RJ relata como golpista atuava


A prisão de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, em Joinville, Santa Catarina, trouxe à tona relatos de pessoas que afirmam ter sido enganadas pela mulher em diferentes estados do país. No Rio de Janeiro, uma das vítimas é a presidente de uma ONG de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, que contou à CBN como acolheu Amanda em 2023 acreditando se tratar de uma adolescente em situação de vulnerabilidade.

Segundo o relato, Amanda entrou em contato com o Instituto Mãos que Abençoam com Amor por meio das redes sociais. Na época, ela afirmava ser uma menina cearense que teria fugido de abusos praticados pelo próprio pai e de uma suposta rede de exploração sexual. Sensibilizadas pela história, voluntárias da instituição foram até Magé buscar a jovem e organizaram uma rede de apoio. Amigos alugaram e mobiliaram uma casa para recebê-la enquanto tentavam localizar familiares que pudessem acolhê-la.

A presidente da ONG, Viviane Henriques, foi quem teve contato direto com Amanda e ofereceu acolhimento. Em entrevista à CBN, ela afirmou que Amanda apresentava comportamento compatível com o de uma adolescente, usando voz infantilizada, roupas largas com capuz e relatando diagnósticos como autismo.

“Ela fez contato pelo Facebook, dizendo que era uma menina que precisava de socorro. Chegou com a história de que era do Ceará e que tinha sido abusada pelo pai. Segundo ela, o pai a obrigava a ficar em uma casa de prostituição com outras menores. Ela andava sempre de casaco, com capuz, e usava uma voz infantilizada. Ela contou para a gente que, quando era obrigada pelo pai a permanecer nessa casa de prostituição, recebia hormônios aplicados por enfermeiros e médicos que ele pagava para que ela pegasse mais corpo. Alugamos uma casa para ela, mobiliamos, inclusive dei móveis meus. O nosso objetivo era encontrar alguém da família que não fosse o pai para socorrê-la”, diz.

Segundo Viviane, a mulher demonstrava grande capacidade de convencimento e não costumava pedir dinheiro ou bens materiais, o que ajudava a afastar suspeitas.

“Ela tem um poder de manipulação muito grande e a voz dela é infantilizada, muito infantilizada. Ela foi conquistando a gente porque, normalmente, quando pensamos em alguém malandro, imaginamos uma pessoa que vai pedir dinheiro ou alguma vantagem. Mas ela nunca pediu nada. Nós alugamos uma casa simples, mobiliamos o imóvel, e tudo o que oferecíamos para ela estava bom. Geralmente, a pessoa começa a fazer exigências, pede uma roupa específica ou dinheiro para alguma coisa. Com ela não era assim. Ela não agia assim. A impressão que eu tenho é que a questão dela não era financeira. Eu acredito que ela buscava apenas cuidado e atenção”, diz.

As desconfianças começaram quando a suposta adolescente passou a criar conflitos entre as integrantes da rede de apoio. A situação levou o grupo a procurar ajuda da então titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Nova Iguaçu, delegada Mônica Areal.

Em conversa com a CBN, a delegada recapitulou o caso e lembrou que a investigação concluiu se tratar de um golpe.

“Investigamos o caso e entramos em contato, inclusive, com a polícia de São Paulo, que já tinha informações sobre essa criminosa. Foi assim que descobrimos que ela era, na verdade, uma estelionatária. Fizemos um verdadeiro teatro para mostrar às vítimas que toda aquela história era uma farsa. Ela fingia ser autista, mas assistia pornografia na madrugada e, na frente das vítimas, pedia mamadeira. Nós investigamos, comprovamos a verdadeira identidade e, a partir daí, as vítimas decidiram registrar ocorrência pelos crimes de estelionato e falsa identidade”, disse.

De acordo com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, Amanda foi autuada em flagrante em 2023 pelos crimes de estelionato, falsa identidade e falsidade ideológica. O caso foi encaminhado à Justiça.

Amanda, que na época se apresentava como Maria Eduarda, foi presa em flagrante, mas acabou sendo solta após passar por audiência de custódia.

Após ser presa em Santa Catarina nesta semana, Amanda declarou à polícia que já havia se passado por adolescente em cidades como Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Chapecó e Nova Iguaçu, além de ter atuado em estados como Minas Gerais, Goiás e Ceará, onde nasceu.

Em audiência de custódia realizada nesta quarta-feira, a defesa solicitou a realização de uma avaliação psiquiátrica. O pedido foi aceito pela Justiça, que também decretou a prisão preventiva da investigada. Amanda será encaminhada ao Presídio Feminino de Joinville.

Em nota, a defesa de Amanda disse que “identificou elementos que justificaram o pedido de realização de exame de sanidade mental” e que o pedido “foi atendido pela Justiça”.



Source link

Visited 3 times, 1 visit(s) today