Vice de Tarcísio, Felício Ramuth chega à reta final do 1º mandato defendendo desestatizações

Escolhido por Tarcísio de Freitas, do Republicanos, para permanecer na chapa que disputará a reeleição, o vice-governador Felício Ramuth chega à reta final do primeiro mandato defendendo uma das principais marcas da gestão: a política de desestatizações.
Para ele, a privatização da Sabesp, uma das medidas de maior repercussão política, permitiu acelerar investimentos e antecipar a universalização do saneamento básico no estado.
Administrador de formação, com 57 anos e filiado hoje ao MDB, Ramuth construiu a maior parte da carreira política no PSDB e, depois, passou pelo PSD antes de integrar a chapa vencedora de 2022.
Na vida pública desde 2005, foi prefeito de São José dos Campos antes de assumir a vice.
Em entrevista exclusiva à CBN, Ramuth afirmou que a experiência como prefeito facilitou o diálogo e a interlocução entre o Palácio dos Bandeirantes e as administrações municipais.
Felício Ramuth, vice-governador de São Paulo, em entrevista exclusiva à CBN — Foto: Reprodução
A vitrine política de Ramuth neste mandato foi a coordenação das ações voltadas à recuperação da Cracolândia. O vice considera o fim da concentração de usuários em um único ponto na região da Luz uma das principais entregas.
No início deste ano, o vice-governador também precisou responder questionamentos após reportagem publicada pelo jornal O Globo revelar uma investigação da Justiça de Andorra sobre recursos mantidos por ele e pela esposa no exterior. O Ministério Público de São Paulo arquivou o procedimento no Brasil por falta de indícios de irregularidade, mas a investigação segue em andamento no país europeu. Ramuth afirma que o patrimônio tem origem em atividades empresariais anteriores à vida pública e nega qualquer ilegalidade.
Ao comentar o caso, afirmou acreditar que a divulgação das informações teve motivação política e buscava enfraquecer sua permanência na chapa de Tarcísio.
“Eu não vim para a política para tirar um centavo do poder público e colocar na minha casa, assim como não tirei um centavo da minha casa para colocar no poder público. A minha vida toda como prefeito, tive todas as minhas contas aprovadas, nunca tive nenhum processo julgado irregular, enfim, dentro da Prefeitura. Então, eu tenho muita tranquilidade, que consigo, é claro, venho do universo privado, da iniciativa privada, né, e consigo manter as atividades da iniciativa privada sem qualquer interferência dos meus cargos públicos.”
Politicamente, Felício Ramuth também enfrentou desgastes durante o mandato. O principal foi com o ex-secretário de Governo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Os dois divergiram sobre a composição da chapa de Tarcísio para a reeleição.
Nos bastidores, Kassab defendia a própria indicação para a vice. A disputa levou o vice-governador a deixar o PSD e se filiar ao MDB.
Apesar da permanência na chapa fortalecer Ramuth dentro do governo, nos corredores do Palácio o entendimento é de que o projeto do MDB para a sucessão estadual de 2030 hoje passa pela candidatura do prefeito Ricardo Nunes.



