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Podcast da CBN e O Globo é escolhido como um dos melhores do ano pelo Spotify

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junho 23, 2026
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Podcast da CBN e O Globo é escolhido como um dos melhores do ano pelo Spotify


O podcast “PCC: O Salve Geral”, uma produção da CBN e de O Globo, foi selecionado pelo Spotify como um dos melhores do ano na plataforma.

O projeto revisita os ataques promovidos pelo PCC em maio de 2006, quando a facção enfrentou o Estado de São Paulo após a transferência de 765 de seus líderes para uma penitenciária no interior com regras mais rígidas.

Uma onda de ataques coordenados pelo PCC espalhou medo por São Paulo, esvaziando ruas e mantendo milhares de pessoas dentro de casa. No podcast, jornalistas reconstroem aqueles dias de terror, apresentam relatos de familiares das vítimas, revelam bastidores da crise e trazem informações inéditas sobre a facção.

Duas décadas depois, a série reconstitui os atentados, seus bastidores e os desdobramentos que transformaram a maior organização criminosa do país.

Em entrevista ao programa Estúdio CBN, a repórter especial de O Globo e apresentadora do podcast, Aline Ribeiro, e o gerente de produtos digitais da CBN, Thiago Barbosa, contaram que o projeto levou cerca de dez meses para ficar pronto, desde a concepção inicial até a finalização dos episódios.

“Tentamos ouvir mais de 50 pessoas, mas falamos efetivamente com mais de 20. Levamos alguns ‘nãos’ ao longo do caminho. Revisitamos o que a imprensa publicou na época, fomos até o Arquivo Público de São Paulo e também procuramos por processos que contavam um pouco dessas história, que responsabilizaram as pessoas que estavam por trás desses atentados. É quase um trabalho de arqueologia, de revisitar um tempo e tentar buscar coisas ainda inéditas, que ainda não foram contadas. (…) É um assunto muito sensível para muita gente”, diz.

Quanto ao intenso trabalho e ao trato jornalístico das informações, Thiago reitera que foi possível graças à parceria entre os veículos. Além disso, desde o início, a equipe se preocupou em não apenas falar sobre os atentados, mas em contar as histórias dos vitimados no processo.

“A Aline, com 15 anos de experiência cobrindo o crime organizado, já tinha o caminho das fontes, conversava com muita gente e isso trouxe uma vantagem enorme para nós no podcast. A partir daí, mergulhamos nesses processos todos. Tínhamos uma preocupação muito grande de não só falar dos ataques aos postos policiais, mas também contar a história das pessoas que foram vítimas daquele processo. Foram 564 mortos, entre policiais e pessoas inocentes, que morreram diante de uma guerra”, completa.

Atentados foram momento ‘de virada’ para o PCC

No dia 15 de maio de 2006, o PCC anunciou um toque de recolher, que obrigou a população paulista a se trancar dentro de casa, e matou 59 agentes das forças de segurança. Nos dias seguintes, houve revide policial. Uma guerra foi deflagrada, com 564 mortos, incluindo 505 civis.

Segundo Aline, os atentados da época figuram como um momento “de virada” para o PCC, do cenário anterior ao que é atualmente – um dos maiores grupos criminosos do país.

“Dá para dizer que foi a maior crise de segurança pública do Brasil. Acho que mostra mesmo a capacidade de organização do PCC, de articulação e de mobilização de dentro da cadeia para o que eles eram capazes de fazer na rua. Por isso é tão importante falarmos sobre 2006, porque impacta a vida da população até os dias de hoje”, afirma a repórter.

“PCC, o Salve Geral”, porém, não parte apenas dos ocorridos de maio de 2006 para falar sobre o PCC. O podcast parte de anos antes, quando a facção ainda era subestimada pelo governo de São Paulo e pela Cúpula de Segurança Pública.

“Foi um longo debate sobre onde começaríamos a contar essa história”, diz Thiago.

“Acabamos decidindo voltar para 2001, para que o ouvinte pudesse entender do que estávamos falando, como era o PCC naquele momento e como o governo e a opinião pública o enxergavam naquele momento. Por quase uma década, a existência do PCC foi negada pelo governo de São Paulo, o grupo não era nem nomeado. A facção nasceu em nos presídios em 1993, mas só em 2001 que ela ‘se coloca no mundo’ por uma mega-rebelião. Ali, o PCC mostra o poder de articulação dentro das cadeias e repetem isso em 2006”, completa Aline



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